SÃO PAULO (Reuters) – A safra total de café do Brasil colhida neste ano foi revisada para 63,35 milhões de sacas de 60 kg, queda de 3,3% na comparação com a projeção anterior, devido a uma colheita menor do que a esperada de grãos arábica, de acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, publicado nesta sexta-feira.
Dessa forma, a Safras indica também uma quebra de 3% em relação à temporada passada.
A produção brasileira de café arábica está agora estimada em 38,05 milhões de sacas, um corte de 6% em relação à previsão anterior e retração de 14% frente à safra passada.
“Já a colheita de conilon/robusta, acima de 25 milhões de sacas, ajuda a aliviar o quadro, mas não compensa integralmente a perda do arábica”, disse a consultoria em nota.
Segundo o consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, a safra de café do Brasil em 2025 ficou abaixo das expectativas, após um início promissor.
“A segunda metade da colheita de arábica mostrou um cenário bem diferente”, disse, salientando que a maioria dos produtores aponta como principal causa o corte de chuvas e a onda de calor entre o fim de fevereiro e março.
EXPORTAÇÕES
A queda na projeção aperta ainda mais o quadro de oferta no Brasil, maior produtor e exportador global, que vem sofrendo com safras frustradas nos últimos anos.
As exportações brasileiras devem recuar 11% no ano comercial 2025/26, projetadas em pouco mais de 41 milhões de sacas.
“Mesmo com menor fluxo externo, os estoques ao final da temporada 2025/26 devem permanecer muito baixos, repetindo o cenário do ciclo 2024/25”, apontou a consultoria.
A relação estoque/consumo foi estimada em 5%, “repetindo o quadro de estoques praticamente zerados da temporada passada e reforçando a fragilidade do abastecimento”, o que deve sustentar os preços, segundo Barabach, mantendo os produtores em postura defensiva nos negócios.
Para ele, nesse contexto, cresce a necessidade de uma grande safra de arábica em 2026.
(Por Roberto Samora, com reportagem adicional de Marcelo Teixeira)