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Custos elevados desafiam a rentabilidade do algodão em 2026

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O início de 2026 encontra a cotonicultura brasileira diante de um cenário que exige maior atenção à gestão, com custos de produção ainda elevados e preços que avançam de forma mais gradual. Mesmo assim, o mercado segue oferecendo oportunidades ao produtor que investe em eficiência, planejamento financeiro e estratégias de venda para proteger a rentabilidade da safra. Segundo o consultor independente de algodão Pery Passoti Pedro, a pressão sobre as margens exige decisões técnicas cuidadosas no campo e disciplina comercial fora dele.

Levantamentos recentes da Companhia Nacional de Abastecimento mostram que os custos do algodão permanecem em patamar historicamente alto no atual ciclo. Insumos agrícolas, especialmente fertilizantes e defensivos, continuam entre os principais componentes de pressão, ao lado das despesas com operações mecanizadas, combustíveis e manutenção de máquinas. Ainda que haja ajustes pontuais nos preços internacionais de matérias-primas, a estrutura de custos segue acima das médias observadas antes de 2021.

Nesse contexto, Passoti alerta que cortar gastos de forma inadequada pode gerar perdas maiores adiante. “O produtor não pode economizar em defensivos que comprometam a qualidade e a reputação do algodão brasileiro. Não pode economizar em combate à mosca branca e ao pulgão, que podem resultar em caramelização”, afirma.

Colheita Algodao RR - 01

Dados regionais do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária indicam que, em estados líderes na produção, como Mato Grosso, o algodão permanece entre as culturas de maior custo por hectare. O instituto destaca que o custeio da lavoura, somado às despesas operacionais e administrativas, demanda elevados níveis de produtividade para assegurar a cobertura dos gastos e a manutenção de margens positivas. Para o consultor, o nível técnico do produtor brasileiro já é elevado, o que limita ganhos rápidos de eficiência. “Eu não vejo uma grande oportunidade de melhoria técnica dentro da fazenda. Os produtores já conseguem extrair o máximo das suas operações”, avalia.

A logística continua sendo fator relevante na formação do custo total. As despesas com transporte até armazéns, indústrias ou portos impactam diretamente o preço líquido recebido na fazenda, sobretudo em regiões mais distantes dos principais corredores de exportação. Mesmo em períodos de estabilidade das cotações da pluma nos mercados interno e externo, esse componente reduz o resultado final do produtor. Diante disso, Passoti reforça que a estratégia passa menos por cortes indiscriminados e mais por manejo assertivo. “A maior oportunidade está em fazer melhor o que já fazem muito bem, com controle rigoroso de pragas e doenças e uso mais eficiente das ferramentas disponíveis, inclusive biológicos, para reduzir número de aplicações e custo total”, destaca.

Algodão - Destacão - 800x600

O crédito rural também influencia a rentabilidade em 2026. Com taxas de juros mais altas em comparação a ciclos anteriores, o custo financeiro passou a representar parcela mais significativa do desembolso total. Produtores com maior necessidade de capital de giro ou estrutura de financiamento mais longa sentem esse impacto com maior intensidade. Nesse ambiente, decisões equivocadas sobre insumos podem comprometer toda a safra. “Outra coisa que eu não recomendo é economizar em sementes. A semente representa cerca de 5% do custo, mas carrega o potencial de 95% da produtividade. Se você errar na semente, não consegue compensar depois”, afirma o consultor.

Do lado da receita, os preços do algodão seguem relativamente firmes, sustentados pela demanda industrial e pelo mercado externo. Análises do IMEA indicam que, em diversas regiões, os valores praticados se mantêm próximos do patamar necessário para cobrir os custos operacionais, o que reforça a importância de estratégias de comercialização, como vendas antecipadas e travas de preço, para proteção da margem. Passoti observa que, atualmente, o mercado trabalha abaixo do custo total, mas ainda acima do custo direto. “Essa é uma conta que não paga tudo no longo prazo, mas mantém a operação acima do nível d’água por um ou dois anos”, explica.

Esse cenário reforça o papel do planejamento comercial. Segundo o consultor, a venda antecipada ajuda a mitigar riscos e deve caminhar junto com a compra de insumos. “Faça a operação futura casada com a compra de insumos. Conforme você compra, vai fechando proporcionalmente a venda”, orienta. Ele também chama atenção para o momento favorável no mercado de derivativos, impulsionado pela baixa volatilidade recente. “Estamos vendo derivativos super baratos. Existem estratégias que permitem travar a baixa e ainda participar da alta, e isso vale ser estudado agora”, afirma.

Esse ambiente tem orientado decisões mais cautelosas no campo. Há registros de ajustes de área em algumas regiões e de maior foco na renegociação de insumos, no controle rigoroso das despesas e na busca por ganhos de produtividade. Para o produtor que vende, o planejamento comercial se consolida como ferramenta central para atravessar o ciclo com equilíbrio econômico. “O ideal é ter uma política de vendas feita com a cabeça fria. Política de preço é algo que a gente cria para se proteger de nós mesmos”, resume Passoti.

A safra de algodão em 2026 se desenvolve sob custos elevados, mas com espaço para rentabilidade quando há eficiência produtiva, disciplina financeira e boa leitura de mercado. As atualizações de Conab e IMEA reforçam que o sucesso da atividade dependerá da combinação entre produtividade, gestão de custos e decisões estratégicas de comercialização ao longo do ciclo, alinhadas a práticas técnicas que preservem a qualidade e a reputação do algodão brasileiro.

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