
O mercado de arroz entra em uma fase de maior equilíbrio após dois anos marcados por produção elevada, estoques confortáveis e pressão sobre preços e margens. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, a reação das cotações ganhou força à medida que a intenção de plantio passou a indicar possível redução de área no Mercosul e menor produção nos Estados Unidos.
No Rio Grande do Sul, a saca voltou a superar R$ 80, enquanto negócios para exportação chegaram à faixa de R$ 90 CIF Porto de Rio Grande. Em Chicago, os preços também mostraram maior firmeza, mesmo durante a colheita americana. A recuperação, porém, abre uma dúvida para o setor: a melhora das cotações pode estimular novamente o plantio e reduzir a retração de área que ajudou a sustentar o movimento.
Cardoso aponta que esse comportamento faz parte de um ciclo conhecido. Preços baixos desestimulam o plantio, a menor oferta fortalece as cotações e a recuperação volta a incentivar área. Se a produção crescer rápido demais, o excesso pode reaparecer.
Para a safra 2026/27, há fatores que diferenciam o cenário. Os Estados Unidos chegam com produção significativamente menor, o Mercosul ainda trabalha com perspectiva de redução de área, os estoques brasileiros já não parecem tão confortáveis, as exportações voltaram a ganhar importância e o clima adiciona incerteza durante a implantação da safra no Sul do Brasil.
Nesse contexto, a área efetivamente semeada e, depois, a produtividade devem ganhar protagonismo. A avaliação é que o desafio está em produzir o suficiente para atender o mercado interno, manter presença nas exportações e preservar margens para produtores e indústrias, sem recriar um excesso capaz de pressionar novamente os preços.