
A confirmação de um novo caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul não deve provocar impactos imediatos nas exportações ou na comercialização de produtos avícolas brasileiros. A avaliação é do engenheiro agrônomo Juarez Morbini Lopes, que considera a ocorrência pontual e destaca a importância do monitoramento sanitário para evitar a disseminação do vírus.
O caso de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) foi confirmado na segunda-feira (5), em aves de subsistência no município de Selbach, na região do Alto Jacuí. Para Lopes, a identificação da doença exige atenção das autoridades sanitárias, mas as informações disponíveis até o momento não indicam motivos para preocupação com o comércio nacional ou internacional.
“O fato de ter sido reportado apenas um caso até agora não me parece muito significativo. Vamos aguardar as decisões do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Não acredito que isso vá afetar, neste momento, as exportações ou a comercialização aqui no Brasil”, avalia o engenheiro agrônomo.
Segundo Lopes, a principal medida deve ser a investigação sanitária da região, com o objetivo de identificar se outros animais tiveram contato com o vírus ou apresentam sinais de contaminação. Esse levantamento será importante para orientar as próximas ações de controle. “Acredito que será feito um mapeamento da região para verificar se existem outros animais contaminados. Caso sejam identificados novos casos, poderá ser estabelecida uma barreira sanitária em um raio de alguns quilômetros ao redor do local onde o problema foi constatado”, explica.
O especialista ressalta que esse tipo de procedimento faz parte das medidas normalmente adotadas pelas autoridades responsáveis pela sanidade animal. O objetivo é reduzir o risco de propagação do vírus e impedir que a ocorrência se espalhe para outras propriedades. “São medidas que o sistema de saúde animal normalmente adota para evitar a proliferação do vírus”, acrescenta.
No Rio Grande do Sul, o Serviço Veterinário Oficial (SVO-RS) informou que realizará visitas a 68 propriedades situadas em um raio de três quilômetros do foco identificado em Selbach. A atuação também inclui ações de educação sanitária e conscientização da população local.
A investigação teve início após uma notificação de mortalidade atendida em 1º de outubro pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). As amostras foram encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou o diagnóstico.
Conforme as regras da OMSA, a ocorrência de influenza aviária em aves de subsistência não altera o status sanitário da produção avícola comercial brasileira e não implica, isoladamente, a suspensão das exportações. Essa condição está alinhada à avaliação de Lopes de que o episódio não deve gerar consequências comerciais imediatas.
A Seapi orienta produtores e moradores a ficarem atentos aos principais sinais da doença, como problemas respiratórios, alterações neurológicas e mortalidade elevada e repentina entre as aves. Qualquer suspeita deve ser comunicada à Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033. A população também deve evitar contato com aves doentes, feridas ou mortas. Embora a influenza aviária afete principalmente aves, o vírus também pode infectar mamíferos e, mais raramente, seres humanos.
A Secretaria reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, pois a doença não é transmitida pela ingestão desses alimentos.
Na avaliação de Juarez Morbini Lopes, a prioridade neste momento é acompanhar o trabalho das autoridades sanitárias e verificar a possível existência de outros animais contaminados. O engenheiro agrônomo considera que as medidas de vigilância e controle são o caminho para conter a propagação do vírus, sem que o caso represente, até agora, uma ameaça imediata à comercialização avícola brasileira.