
A podridão cinzenta do caule no feijão exige atenção ao manejo da irrigação, principalmente entre fevereiro e maio, quando muitas lavouras passam por fases reprodutivas sob temperaturas elevadas e períodos de déficit hídrico. Equilibrar a lâmina, a frequência e o momento das irrigações ajuda a reduzir o estresse das plantas e a severidade da doença.
A podridão cinzenta do caule é causada pelo fungo Macrophomina phaseolina, que encontra condições favoráveis em ambientes quentes e com baixa disponibilidade de água no solo.
O patógeno sobrevive no solo e em restos culturais por meio de estruturas de resistência chamadas escleródios. Essas estruturas podem permanecer viáveis por vários anos, aguardando condições favoráveis para infectar novas raízes.
Entre fevereiro e maio, muitas lavouras de feijão passam por floração, formação de vagens e enchimento de grãos. Nesse período, temperaturas elevadas, chuvas irregulares e falhas no manejo da irrigação podem aumentar o estresse das plantas.
Talhões com longos períodos entre irrigações, lâminas mal distribuídas ou episódios de encharcamento também podem apresentar maior proporção de plantas com sintomas, principalmente em solos arenosos ou compactados.
A podridão cinzenta do caule é uma doença de solo que atinge principalmente o sistema radicular e a base do caule. O Macrophomina phaseolina possui amplo espectro de hospedeiros, incluindo soja, milho, sorgo e algodão. A presença dessas culturas pode favorecer o acúmulo de inóculo em áreas de agricultura intensiva.
A infecção ocorre principalmente pelas raízes, em microferimentos ou pontos de emissão de raízes laterais. Plantas submetidas ao estresse hídrico apresentam maior suscetibilidade e menor capacidade de reação à infecção.
Depois de colonizar os tecidos, o fungo pode afetar o sistema vascular, dificultando o transporte de água e nutrientes. Quando o solo apresenta baixa umidade, os sintomas de murcha podem se intensificar.
A formação de escleródios também aumenta em tecidos senescentes e em plantas submetidas a condições de estresse, como seca, calor e baixa fertilidade.
O manejo da água tem relação direta com o nível de estresse hídrico enfrentado pelo feijoeiro. A doença tende a apresentar maior severidade quando as plantas passam por estresse hídrico moderado a severo, especialmente durante as fases reprodutivas.
A falta de água pode reduzir o crescimento e o aprofundamento das raízes, concentrando-as em camadas superficiais do solo, onde as temperaturas podem ser mais elevadas e a disponibilidade de água menor.
O déficit também reduz a turgidez e a capacidade de defesa da planta, além de favorecer a senescência antecipada de raízes finas.
Como consequência, plantas submetidas ao estresse ficam mais suscetíveis à colonização pelo fungo e podem evoluir mais rapidamente para sintomas de murcha, escurecimento da base do caule e morte prematura.
Lâmina e frequência precisam evitar extremos
Tanto a falta quanto o excesso de água podem prejudicar o manejo da podridão cinzenta do caule.
Segundo dados divulgados pelo material técnico apresentado, lâminas insuficientes e intervalos muito longos entre irrigações provocam ciclos de ressecamento do solo, aumentam a temperatura na região das raízes e intensificam o estresse hídrico.
No extremo oposto, lâminas muito elevadas e intervalos curtos podem provocar encharcamentos episódicos. Apesar de reduzirem temporariamente o déficit hídrico, essas condições prejudicam a aeração do solo e podem causar morte de raízes por falta de oxigênio.
Quando o solo volta a secar, essas raízes mortas podem servir como substrato para a colonização pelo fungo.
Por isso, o manejo deve buscar equilíbrio, evitando tanto períodos prolongados de seca quanto encharcamentos.
A forma como a água é distribuída ao longo do tempo interfere nas condições da zona radicular. Irrigações mais frequentes, com lâminas moderadas, tendem a reduzir as oscilações de temperatura do solo.
Já irrigações muito espaçadas favorecem o aumento da temperatura durante os períodos secos, condição que pode beneficiar o M. phaseolina. A manutenção da umidade do solo em uma faixa intermediária, próxima à capacidade de campo, contribui para reduzir simultaneamente o estresse térmico e hídrico.
Quando calor, baixa disponibilidade de água e presença de inóculo se combinam, a podridão cinzenta do caule pode comprometer o desenvolvimento da lavoura. Entre os impactos estão a redução do estande efetivo, com morte de plantas durante o enchimento de vagens, além da redução do número de vagens por planta e do peso dos grãos. A doença também pode provocar desuniformidade de maturação, dificultando a definição do momento ideal de colheita.
As perdas variam de acordo com fatores como cultivar, solo, clima e histórico da área. A associação entre estresse hídrico e presença de M. phaseolina pode resultar em perdas importantes de produtividade.
A decisão sobre quando e quanto irrigar não deve depender apenas de um calendário fixo. O manejo deve considerar indicadores do solo, da planta e do clima. A evapotranspiração da cultura pode ser utilizada para estimar a lâmina consumida. A avaliação visual do solo, considerando características como textura, cor e coesão, também pode contribuir para a tomada de decisão.
Quando disponíveis, sensores de umidade permitem acompanhar com maior precisão a condição hídrica do solo.
Na planta, sinais como murcha leve durante os períodos mais quentes, fechamento parcial dos estômatos e perda de brilho das folhas podem indicar o início de um déficit. Quanto melhor for o acompanhamento, menor tende a ser o risco de submeter a lavoura a ciclos repetidos de seca intensa, especialmente entre a floração e o enchimento dos grãos.
Durante o período de fevereiro a maio, muitas lavouras entram ou permanecem em estádios reprodutivos sensíveis. A prioridade deve ser evitar déficits hídricos acentuados durante a floração e a formação de vagens.
Também é importante reduzir oscilações bruscas da umidade do solo durante o enchimento dos grãos e evitar encharcamentos próximos à maturação fisiológica. O manejo precisa considerar a previsão de chuvas, o tipo de solo e o sistema de irrigação utilizado.
Como doenças de solo são difíceis de controlar depois que se estabelecem, a prevenção tem papel central. A correção e o preparo do solo devem favorecer a estrutura e a aeração, além de reduzir problemas de compactação.
O planejamento da lâmina precisa considerar a demanda hídrica da cultura e a capacidade de retenção de água do solo, evitando tanto o excesso quanto o déficit prolongado.A manutenção da palhada e da cobertura do solo também pode reduzir a amplitude térmica e a evaporação na superfície, contribuindo para diminuir o estresse hídrico.
O manejo da água, isoladamente, não elimina a podridão cinzenta do caule. A irrigação deve ser combinada com rotação de culturas, uso de cultivares mais tolerantes quando disponíveis, manejo nutricional equilibrado e manejo adequado dos restos culturais.
A rotação pode ajudar a reduzir o acúmulo de inóculo no solo. Já cultivares mais tolerantes podem apresentar maior capacidade de suportar condições de estresse e infecção pelo patógeno.
A nutrição equilibrada também contribui para a maior resiliência das plantas, enquanto o manejo adequado de restos culturais pode reduzir a quantidade de escleródios devolvidos ao solo.
Embora o foco do manejo esteja na irrigação e na prevenção, intervenções fitossanitárias complementares devem seguir as recomendações técnicas. Qualquer uso de produtos químicos ou biológicos deve respeitar o rótulo, a bula e o receituário agronômico emitido por profissional habilitado. O diagnóstico correto da doença é fundamental para definir a estratégia de manejo.
Também devem ser utilizados apenas produtos registrados para a cultura e o alvo, conforme a legislação vigente, além dos equipamentos de proteção individual necessários durante as aplicações. Entre fevereiro e maio, o manejo da água pode ser decisivo para reduzir o estresse do feijoeiro e limitar a severidade da podridão cinzenta do caule.
O produtor deve verificar o histórico da área, acompanhar a umidade do solo e evitar ciclos prolongados de seca, principalmente durante a floração e o enchimento dos grãos.
A recomendação é priorizar irrigações mais frequentes com lâminas moderadas, evitando tanto a ressecação excessiva quanto o encharcamento. A irrigação também deve ser integrada à rotação de culturas, à nutrição equilibrada, ao manejo de restos culturais e às demais práticas de fitossanidade.