Os preços do milho seguem em trajetória de queda nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). De acordo com pesquisadores do Centro, o movimento é explicado por um conjunto de fatores que atuam simultaneamente sobre o mercado, com destaque para o aumento da oferta neste começo de ano e para a menor demanda interna.
Foto: Albari Rosa
A disponibilidade do cereal é reforçada pelo clima favorável ao desenvolvimento das lavouras no Brasil e pelo avanço da colheita da safra de verão, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Esse cenário amplia o volume de grãos disponível no mercado físico e reduz a sustentação dos preços.
Pelo lado da demanda, o Cepea observa que os compradores seguem cautelosos. Muitos agentes têm priorizado a utilização de lotes adquiridos anteriormente, o que limita novas negociações no curto prazo. Parte desses consumidores, além de contar com estoques, avalia que o avanço da colheita da soja deve aumentar a necessidade de espaço nos armazéns, levando vendedores de milho a ofertar o produto para liberar capacidade e reforçar o caixa.
Foto: Albari Rosa
No campo, o calendário agrícola avança em duas frentes. Enquanto a colheita da safra de verão ganha ritmo no Sul e no Sudeste, a semeadura da segunda safra já começou em algumas regiões do Sul e do Centro-Oeste. Esse movimento contribui para a percepção de continuidade da oferta ao longo dos próximos meses, o que também pesa sobre as expectativas de preços.
Segundo o Cepea, a combinação entre oferta crescente, demanda retraída e expectativa de maior disponibilidade adiante mantém o mercado pressionado, com compradores mais confortáveis para postergar aquisições e vendedores encontrando dificuldades para sustentar as cotações nos níveis observados no fim de 2025.