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O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou mais uma venda de soja para a China de 132 mil toneladas nesta quinta-feira (8). Este é mais um anúncio que mostra a nação asiática bastante ativa no mercado norte-americano, porém, com uma série de ressalvas que ainda marca as relações sino-americanas que vão além das commodities.
Embora as compras da China estejam mais frequentes, os volumes adquiridos a conta-gotas ainda mantém o cenário amplo preocupante para o caminhar das cotações na Bolsa de Chicago. Afinal, segundo explicam analistas e consultores de mercado, os volumes esperados não deverão mudar de forma muito expressiva o cenário de oferta e demanda do Estados Unidos.
Com os dados reportados pelo USDA nesta quinta-feira atualizando as vendas semanais norte-americanas, registrou-se que as exportações de soja dos EUA de setembro a outubro foram as menores em 14 anos, além de ficarem 34% abaixo do observado no mesmo período do ano passado. No período, esta foi a primeira vez em 31 anos que o país não exportou soja à China.
Em outubro, os principais destinos da oleaginosa americana foram México, Egito, Paquistão e Bangladesh.
O gráfico abaixo, de autoria da analista internacional Karen Braun, mostra – na linha preta mais grossa – o comportamento do programa de exportações dos Estados Unidos. O desempenho das vendas de soja pelo país estão bem abaixo do registrado em temporadas anteriores, porém, em linha com o ano comercial 2018/19, período em que a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo se iniciou com o primeiro governo de Donald Trump.
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Ainda segundo dados do USDA, até o dia 25 de dezembro, a China havia comprado apenas 6,4 milhões de toneladas de soja 2025/26 dos EUA. Com as aquisições seguintes e as informações que correram o mercado nos primeiros dias de 2026, as compras já totalizam quase 10 milhões de toneladas, mais de 80% das 12 milhões estimadas para as compras até fevereiro, como estimou o Secretário do Tesouro Americano, Scot Bessent.
E as expectativas é de que compras como as anunciadas nesta quinta-feira deverão continuar aparecendo nas próximas semanas para que o alvo das 12 milhões de toneladas seja alcançado.
Os últimos acontecimentos, no entanto, com os EUA atacando a Venezuela e capturando o presidente Nicolás Maduro poderia trazer algum comprometimento às relações entre chineses e americanos, já que a China respondeu de forma contrária imediatamente.
Do mesmo, a proximidade da entrada da nova safra do Brasil também pode mudar em partes o fluxo e o ritmo da demanda chinesa, já que o produto nacional deverá ficar ainda mais competitivo.
O novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA será reportado na segunda-feira, dia 12 de janeiro, e alguns dos números mais esperados são os dos estoques finais e das exportações 2025/26, justamente em função da ausência chinesa no mercado americano durando mais do que os produtores dos Estados Unidos gostariam.
Nesta quinta-feira, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o dia com leves baixas, porém, ainda próximos das máximas do ano. A sustentação, como explica a Agrinvest Commodities, vem em parte das compras da China por soja americana.
“Ao longo desta semana, mais barcos de soja dos EUA foram reportados, elevando o volume adquirido para mais de 10 milhões de toneladas. Por outro lado, o avanço das compras nos EUA pode reduzir com a entrada da safra brasileira”, afirma a equipe da consultoria.