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Novos pedágios na BR-364 devem aumentar custos em até R$ 4,00 por saca de soja no caminho de Vilhena até Porto Velho/RO

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A colheita da safra de soja 2025/26 já começou em Rondônia, mas além de se preocupar com os trabalhos de campo, com as produtividades e as oportunidades de comercialização, os produtores do estado ganharam mais um ponto de alerta e atenção. A partir da última segunda-feira (12), sete novas praças de pedágio passaram a funcionar na BR-364 que liga Vilhena a Porto Velho. 

Com isso, veículos que trafegam na rodovia com destino ao porto da capital rondoniense passaram a pagar valores que variam de R$ 144,80 para aqueles de dois eixos até R$ 1.158,40 para os de oito eixos. Esses valores devem ser somados aos custos de fretes e representar um aumento de até R$ 4,00 por saca de soja já nesta temporada, conforme cálculos da Aprosoja RO. 

“Já estava ruim para o produtor, com preços muito ruins e agora piorou. Quem vai ser penalizado mesmo é o produtor rural, porque as transportadoras vão repassar esses custos para o produtor”, comenta o presidente da Aprosoja RO, Jair Roberto Gollo. 

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Instalação do pedágio na BR-364 – Divulgação / Comunicação ANTT

Outro importante ponto de preocupação deste cenário foi a maneira repentina que a cobrança teve início. A liderança relata que o começo das operações estava previsto para o meio do ano, mas foi antecipada e deve ter impacto em contratos de frete que já estavam fechados. 

“Lá atrás, a gente e as empresas compradoras projetamos um custo para levar a soja até o porto. Esses custos já estavam feitos e agora esse prejuízo será em torno de R$ 3,00 a R$ 4,00 por saca. Quem já tinha fechado antecipado, como é que faz agora? Vai perder esse valor?”, alerta Gollo. 

A Aprosoja RO busca maneiras de reverter ou mitigar esse impacto, buscando reuniões e tratativas com empresas, entidades e representantes do governo, mas alguma solução neste momento deve ser muito difícil, até porque, não existe alternativa de caminho para escoar essa produção até o porto da capital. 

“Não tem alternativa, não existe como desviar para outras rodovias ou alguma coisa assim. Aqui em Rondônia é uma rodovia só que atravessa o estado e, inclusive, a BR-364 serve também para todo o Oeste do Mato Grosso, desde Campo Novo, Sapezal, Campos de Júlio, Pontes de Lacerda, Nova Lacerda, Comodoro, todos os municípios que transportam para o porto de Porto Velho”, diz o presidente. 

mapa pedagio br364
Novas praças de pedágio no caminho de Vilhena até Porto Velho

Outra reclamação do setor é que, apesar das cobranças de pedágio já terem começado, ainda não houve melhorias na infraestrutura da rodovia.  

“Esse pedágio não veio em uma boa hora. Ainda não tivemos nada de investimento na rodovia, que continua a mesma precária de sempre. Não tivemos vantagem nenhuma ainda. Dizem que vai ter com o tempo, nos próximos anos, mas por enquanto são só as despesas”, lamenta Gollo. 

“Foi um pedágio que a gente não está vendo benefício, porque ainda não se iniciaram as obras de expansão dessa rodovia que é extremamente utilizada. O trânsito dela é extremamente intenso, toda a logística que sai no Rio Madeira e vai para o Amazonas passa por aqui. É um ano muito complicado para o produtor e vai afetar outros estados também”, pontua Vicente Godinho, pesquisador da Embrapa e membro da Aprosoja RO. 

Outro estado que deve ser bastante afetado pelas cobranças é o Acre, já que diversos produtos que chegam ao estado atravessam a rodovia e vão passar pelas novas praças de pedágio. Segundo o assessor da presidência da Fecomércio do Acre, Egídio Garó, o impacto será imediato no varejo e no atacado. “Todos os produtos que chegarem ao Acre após o início da cobrança sofrerão aumento de preços, interferindo inclusive no custo da cesta básica das famílias de baixa renda”.   

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