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Safra de soja do Brasil fica mais distante de 180 mi t, apontam consultorias

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Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 2 Mar (Reuters) – Novas estimativas de produção de soja do Brasil deixaram o volume da safra 2025/26 mais distante do patamar de 180 milhões de toneladas, ainda que a colheita tenha potencial para atingir novo recorde no maior produtor e exportador global da oleaginosa, de acordo com relatórios divulgados nesta segunda-feira.

A revisão para baixo nas projeções se deu em função da contabilização de problemas climáticos na safra do Rio Grande do Sul, que voltou a sofrer com intempéries em 2025/26, embora até o momento os impactos no Estado, grande produtor brasileiro, sejam menores do que em ciclos anteriores.

Nesta segunda-feira, as consultorias AgRural e StoneX, que antes viam a colheita acima de 180 milhões de toneladas, reduziram suas projeções para 178 milhões de toneladas e 177,8 milhões de toneladas, respectivamente.

Na sexta-feira, a Safras & Mercado estimou a produção em 177,7 milhões de toneladas, enquanto o Rabobank ainda viu a safra em 181 milhões de toneladas, com outros Estados compensando algumas perdas no Rio Grande do Sul, que está em fase inicial de colheita, enquanto em outras regiões os trabalhos estão mais avançados — na média nacional, cerca de 40% do total já foi colhido.

Questionada se já é possível cravar que a safra brasileira ficará abaixo de 180 milhões de toneladas, a analista da AgRural Daniele Siqueira disse que ainda é cedo para isso, embora considere provável que o número vai se consolidar abaixo daquele patamar.

“Até o momento, a expectativa do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) é muito boa, nada impede que a estimativa de produção ainda suba um pouquinho ali… Mas o que vai definir mesmo é a produção do Rio Grande do Sul. Se houver novos cortes no RS, a safra do Brasil ficará abaixo de 180 milhões de toneladas”, disse ela à Reuters.

Ela disse que as chuvas melhoraram no Estado gaúcho, mas “seguem muito manchadas, beneficiando algumas regiões, mas mantendo outras em situação complicada”. Novos cortes na projeção do Rio Grande do Sul podem acontecer, dependendo do clima neste mês.

Nesta segunda-feira, a StoneX também citou o Rio Grande do Sul para reduzir sua previsão nacional, apontando que o Estado (terceiro produtor brasileiro) teve sua produção reduzida de 22,9 milhões de toneladas para 20,2 milhões de toneladas.

“Apesar de ainda ser uma safra recorde, questões climáticas trouxeram algum prejuízo para as lavouras, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as chuvas chegaram tarde e de forma bastante irregular”, disse a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi, em nota.

Na temporada anterior, segundo a StoneX, o Brasil produziu 168,75 milhões de toneladas. A se confirmar o número atual, ainda seria um aumento de 5,4% na comparação anual.

Na sexta-feira, a Safras & Mercado já havia diminuído a colheita gaúcha para 20,9 milhões de toneladas, versus potencial de até 23 milhões de toneladas. No domingo, a consultoria Pátria AgroNegócios afirmou que o potencial da safra brasileira seria entre 176 milhões e 177 milhões de toneladas, “com riscos elevados de recuo devido a problemas no extremo Sul do país”.

Em sua revisão mensal em fevereiro, a estatal brasileira Conab projetou 177,98 milhões de toneladas para o país, alta de 3,8% ante o ciclo passado, que foi recorde.

SAFRA MAIOR, MARGENS MENORES

Em uma temporada em que as margens dos produtores estão mais apertadas em meio a uma grande safra, as vendas de soja pelos agricultores brasileiros estão mais atrasadas em relação à média histórica para o período.

Segundo levantamento da consultoria Céleres, até a última semana os produtores do Brasil tinham vendido 40% de sua produção, dez pontos percentuais abaixo da média.

Para o analista da Céleres Gabriel Machado, este patamar de vendas está abaixo do que poderia ser adequado no contexto atual, considerando que “as probabilidades hoje não jogam a favor de retornos positivos com a retenção da soja”, considerando custos de armazenamento.

Ele lembrou ainda, conforme análise da Céleres, que só valeu a pena reter soja para o segundo semestre em nove dos últimos 25 anos. “Com safra cheia no Brasil e níveis de estoques globais em alta, os preços globais e locais devem se manter pressionados no curto prazo”, completou, lembrando que, com o real valorizado, há pouco espaço para sustentação das cotações no país.

Oportunidades de alta do preço, contudo, podem surgir com a instabilidade do câmbio em período eleitoral e algum eventual problema na safra dos EUA em função de um El Niño, afirmou.

(Por Roberto Samora)

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