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Soja: Com baixo índice de comercialização, produtor começa semana atento às margens e às oportunidades de venda

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Embora o mercado global da soja esteja atento ao número que o Brasil vai trazer em sua oferta 2025/26 de soja – seja 175 milhões ou 182 milhões de toneladas, e sim, as projeções variam em um intervalo desta extensão neste momento – mais do que o tamanho da safra, o que mais chama a atenção agora é o baixo índice de comercialização no país. Há pouco mais de 30% da nova safra já comercializada, e o número está abaixo do registrado no mesmo período do ano passado e da média dos últimos cinco anos, com os preços ainda pouco atrativos ao sojicultor brasileiro. 

Na Bolsa de Chicago, a última semana foi volátil para as cotações, com o relatório de oferta e demanda de janeiro do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) tendo pressionado as cotações severamente e, na sequência, os preços foram, ao menos, se reestabelecendo. Todavia, a grande oferta vinda do Brasil ainda é um limitador para os indicativos. 

“O mercado sabe que a safra brasileira é uma safra grande, já absorveu isso, e agora está esperando notícias novas”, afirma o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. “É safra cheia no Brasil, no Paraguai, safra normal na Argentina, e agora o mercado espera mais demanda da China”. E assim, com a demanda em evidência diante de uma oferta tão robusta, será importante entender onde estarão as oportunidades de comercialização nos próximos meses. 

A semana começa sem a referência da Bolsa de Chicago, já que o mercado nos EUA hoje está fechado em função do feriado do Dia de Martin Luther King, porém, de olho no dólar – que ainda tem sido um fator que pressiona a formação dos preços no mercado nacional -, nos prêmios – que seguem positivos para o começo deste ano, e nos portos, onde já há uma diferença considerável entre os meses onde a colheita é mais intensa e os que já não sentirão esta pressão de forma tão agressiva. 

Na última sexta-feira (16), a soja nos portos terminou a semana para fevereiro, março e abril entre R$ 129,00 e R$ 134,00, enquanto para julho foi a R$ 138,00 por saca. “Essa é uma diferença muito boa e sinaliza que no segundo semestre haverá uma condição melhor para o produtor”, afirma Brandalizze. A última semana terminou também com prêmios de 30 a 50 pontos positivos de fevereiro a maio, enquanto para julho variam de 65 a 70, também indicando essa valorização dos preços da soja brasileira no segundo semestre. 

Apesar dos preços indicarem estes sinais melhores para os meses mais alongados, o produtor também vem fazendo suas contas de quanto custa carregar toda essa soja para vender mais a frente. Os custos têm sido elevados e monitorados constantementemente para que se conheça seu impacto direto sobre as margens, que deverão ser muito ajustadas nesta temporada. 

“Nós temos nosso estudo de margens aqui na Pátria e um ponto que nos indica é que saímos de uma margem teórica de 55% da safra 2021/22 para uma margem de 14% neste ano, isso considerando só o operacional”, explica o diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro. Assim, o baixo índice de comercialização acaba sendo um ponto de preocupação porque muito produtores precisarão vender, o mercado ficará mais oferta e isso precisará ser considerado. 

Por outro lado, Palavro pondera. “Mas, as compradoras precisam comprar. Então, enquanto essa colheita não ganha corpo, podem aparecer algumas oportunidades porque as empresas também vão ter suas necessidades de compra, de demanda, e o produtor tem que ficar muito atento a isso”. 

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