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O economista chefe de commodities da StoneX, Arlan Suderman, afirma que os Estados Unidos não podem mais competir no mercado global de soja via preços. “Certamente, o Brasil tem a vantagem dos custos e os Estados Unidos não são mais o produtor com os menores custos no mundo, para diversas commodities. Quando o Brasil tem a possibilidade de produzir duas, até três safras no mesmo ano, isso lhes dá a vantagem. E há ainda a força do dólar americano versus o real que também contribui. Fica “mais fácil” e mais barato comprar seus produtos”, explica.
Como resultado, o Brasil define cada vez mais o parâmetro competitivo para a precificação global da soja, segundo Suderman. E o desequilíbrio cambial que se observa neste momento agrava o desequilírio entre as produções – o que segue favorecendo a sojicultura do Brasil – e a acelera, portanto, a participação da oleaginosa brasileira no mercado global, bem como uma mudança na sua influência para a formação dos preços no mercado internacional.
Nesta sexta-feira (9), a nova venda de soja informada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foi de 198 mil toneladas para destinos não revelados. Mais uma vez, o mercado especula que a China seja o destino de mais esta operação, dada sua presença frequente no mercado norte-americano nas últimas semanas. Somente nesta semana, a China já comprou 20 barcos de soja nos Estados Unidos, segundo informa a Agrinvest Commodities, chegando a 82% do programa de 12 milhões de toneladas anunciado por Scot Bessent, Secretário do Tesouro Americano, no final de 2025.
A melhora da margem de esmagamento na nação asiática tem estado no radar do mercado internacional da soja, ajudando a justificar essas compras intensivas e a manter os prêmios da soja ainda positivos no Brail. “Este é um fator de decisão para a compra de soja e venda de farelo na China, que está bastante robusta agora”, explica Eduardo Vanin, sênior agriculture Strategist da Marex.
O chamado “short squeeze” nos preços da soja, ainda segundo Vanin, é mais um ponto de atenção. No ano passado, em função do atraso da colheita no Brasil, o movimento ficou mais evidente, o que não deverá se repetir neste ano. “A estimativa é de que a colheita no Mato Grosso alcance até 30% da safra em janeiro, contra 15% do ano passado. No Paraná, 18% no ano passado, neste, 25%. Vamos ter mais soja, mais cedo. Mas, ainda assim há um aperto logístico e físico, por falta de soja, por enquanto”.
O mercado acompanha os fundamentos, porém, agora reage ao movimento de compra dos fundos investidores no farelo, que registrou boas altas nos últimos dias na Bolsas de Dalian e Chicago, depois de perdas consecutivas, levando os preços a níveis bastante baixos. Parte dessa decisão está conectada ao cenário ainda de deflação na China e de busca pela inflação. No entanto, os fundamentos não apontam para o mesmo caminho como explica o especialista.
“A partir de maio, a chegada de soja na China vai ser muito intensa. O Brasil com uma safra maior, nosso programa de exportação parrudo, além da nossa velocidade, capacidade e preço vão levar muita soja para a China e o fluxo vai trazer um aumento de esmagamento e oferta e de farelo”, complementa Vanin.