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O novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) – o WASDE – e o primeiro de 2026 chega nesta segunda-feira, 12 de janeiro, às 14h (horário de Brasília), e eis aqui as expectativas dos traders antes de sua divulgação. O que o mercado precisa saber antes da chegada dos números atualizados?
PARA A SOJA
O reporte chega com a estimativa final do USDA para a safra 2025. Um pequeno ajuste na produtividade é esperado, porém, sem grandes expectativas em relação a estes números. Já os estoques finais são bastante aguardados e podem sofrer uma leve correção para cima, de acordo com as expectativas dos traders. Os números variam de 6,67 a 9,53 milhões de toneladas, com média de 7,95 milhões. Em dezembro, o número veio em 7,89 milhões de toneladas.
O intervalo das projeções é grande, bem como a incerteza do mercado sobre os números das exportações norte-americanas. Afinal, o ritmo dos embarques de soja dos EUA ainda é lento, com apenas 36,9% do estimado pelo USDA apenas estando embarcado, contra uma média de 55,5% dos últimos cinco anos. E o país chegou ainda aos 62,2% do total da oleaginosa comprometida com a exportação, versus 79% também da média plurianual.
Apesar do programa de exportações lento, internamente a demanda por soja nos EUA é intenso, com bons números sendo observados no esmagamento. Em novembro, o país marcou um novo recorde e os sinais são de que esta seja uma boa saída para a soja dos EUA.
“As expectativas do mercado são de que as exportações possam vir menores neste boletim de janeiro, mas, com a possibilidade de que o processamento tenha um leve aumento. Ainda assim, a possibilidade de estoques finais maiores de soja dos EUA existe”, afirma o analista internacional Eric Fransen, ao portal SuccessfulFarming.
Assim, a média das expectativas para os estoques finais globais de soja também indica um aumento. A projeção é de que o número venha entre 121,8 e 124,5 milhões de toneladas, com uma média de 123,07 milhões e frente aos 122,37 milhões de toneladas reportadas em dezembro.
As expectativas sinalizam ainda a possibilidade de um aumento dos números do USDA para as safras da América do Sul. Para a soja do Brasil, a média das expectativas é de 176,35 milhões de toneladas, contra 175 milhões do boletim anterior, e de 48,53 milhões de toneladas para a Argentina, enquanto em dezembro eram esperadas 48,50 milhões de toneladas.
PARA O MILHO
Os estoques finais de milho dos Estados Unidos são esperados entre 45,01 e 56,77 milhões de toneladas, com uma média de 50,09 milhões. Há uma mês, o número veio em 51,54 milhões de toneladas. Uma leve baixa é esperada porque, ao contrário do que se observa na soja, as exportações americanas caminham bem e o cereal dos EUA têm sido intensamente demandado nesta temporada.
Os dados do USDA mostram que tanto os embarques, quanto as vendas, estão acima do registrado no mesmo período do na passado e frente à média dos últimos cinco anos. Do mesmo modo, o uso do grão para a produção de etanol nos Estados Unidos também tem se mantido forte desde outubro.
As mudanças entre os estoques finais globais são bastante tímidas. A média esperada é de 279,62 milhões de toneladas, contra a estimativa de dezembro de 279,15 milhões de toneladas.
Nos números da América do Sul, a média esperada para a safra de milho do Brasil é de 132,46 milhões de toneladas, enquanto o número do reporte anterior foi de 131 milhões. Já para a Argentina, a projeção poderia ser alterada de 53 para 53,63 milhões de toneladas.
ESTATÍSTICAS
“Historicamente, este é o relatório mais volátil do ano para milho, soja e trigo, com ajustes na produção e na demanda, além da divulgação simultânea do relatório de Estoques Trimestrais (na posição de 1º de dezembro) de Grãos do USDA”, diz Eric Fransen.
As análises mostram, segundo o especialista, que nos dias de divulgação do WASDE, considerando o período de 2000 a 2023 – a volatilidade para os mercados de soja, milho e trigo tende a ficar acima da média.