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Feijão perde espaço no prato do brasileiro enquanto exportações avançam e acendem alerta no campo

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O feijão, símbolo histórico da alimentação brasileira e principal fonte de proteína vegetal no país, enfrenta um paradoxo que preocupa produtores e especialistas. Ao mesmo tempo em que o Brasil amplia sua presença no mercado internacional de pulses, o consumo interno despenca e a produção dá sinais de retração.

Dados da Embrapa, com base em levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o consumo per capita de feijão no Brasil vem caindo de forma consistente nas últimas décadas. Nas décadas de 1960 e 1970, o brasileiro consumia, em média, cerca de 23 quilos por habitante ao ano. Atualmente, esse volume gira entre 12 e 13 quilos por habitante ao ano, o que representa uma redução de aproximadamente 50% e coloca o consumo em um dos níveis mais baixos da série histórica. 

A queda no consumo é atribuída a uma combinação de fatores. Entre eles, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, mudanças no estilo de vida com menos tempo para cozinhar e até percepções equivocadas sobre o valor nutricional do feijão. Especialistas do setor reforçam que o alimento segue sendo essencial para a saúde, inclusive com impacto direto no desenvolvimento cognitivo, especialmente na infância.

No campo, o cenário também é desafiador. A área plantada vem diminuindo em várias regiões do país. Na safra 2025-2026, a redução supera 10% em estados como o Paraná, tradicional produtor. Entre os principais motivos estão os preços baixos, dificuldades de acesso ao crédito, ausência de seguro rural e riscos fitossanitários. Diante disso, muitos produtores migraram para culturas como a soja.

A produção nacional de feijão deve ficar abaixo de 3 milhões de toneladas na safra 2025-2026, segundo estimativas do setor com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e de agentes de mercado. O volume representa recuo em relação ao ciclo anterior, refletindo a redução de área plantada em importantes regiões produtoras.

Ainda assim, o Brasil segue como exportador relevante, especialmente de variedades pouco consumidas internamente, como o feijão fradinho. De acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAF), o país exportou mais de 500 mil toneladas em 2025, com destaque para mercados como Egito e Índia, principais destinos do produto brasileiro.

O avanço no comércio exterior é visto como uma estratégia para dar liquidez ao produtor e incentivar a diversificação das lavouras. Atualmente, o Brasil já trabalha com cerca de 20 variedades exportáveis, número bem superior ao de anos anteriores. Há também esforços para ampliar mercados estratégicos, como China, Índia e México.

Outro ponto que fortalece a competitividade brasileira é a sustentabilidade. O feijão produzido no país apresenta uma pegada ambiental até 50% menor em comparação com grandes concorrentes globais, como Canadá, Austrália e Estados Unidos.

Mesmo com o crescimento das exportações, especialistas garantem que não há risco de desabastecimento interno, já que os tipos exportados diferem dos mais consumidos no Brasil, como o feijão carioca.

O setor aposta em uma mudança cultural para reverter a queda no consumo. Uma das iniciativas é a campanha “Viva Feijão”, que busca resgatar o valor do alimento na mesa do brasileiro, especialmente entre as novas gerações.

Além disso, há um movimento global que pode favorecer o produto. Países como Estados Unidos e nações europeias começam a valorizar mais as leguminosas na alimentação, impulsionados pela busca por dietas mais saudáveis e sustentáveis. Na Ásia, o feijão já é utilizado de forma mais diversificada, inclusive como ingrediente em produtos industrializados, ampliando seu potencial de consumo.

No Brasil, o desafio é equilibrar tradição e inovação. O feijão segue presente no prato do brasileiro, mas precisa reconquistar espaço diante das mudanças no comportamento alimentar. Para o setor, mais do que um alimento básico, ele representa um ativo estratégico para a saúde da população, a sustentabilidade e a economia do país.
 

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