A combinação entre safra recorde de grãos, aumento da demanda por transporte e limitações históricas da infraestrutura logística brasileira está pressionando o mercado de fretes rodoviários no país. Segundo análises da Esalq-Log, os preços do transporte de cargas agrícolas estão em forte alta e já se aproximam das máximas registradas nos últimos ciclos de escoamento.
Administrador, com especialização internacional em Marketing e Estratégia de Negócios e MBA em IA e Dados para Negócios, Thiago Cardoso: “O Brasil ainda opera com forte desequilíbrio logístico, concentrando grande parte do transporte agrícola em caminhões, enquanto outros modais permanecem subutilizados em regiões estratégicas de produção” – Foto: Divulgação
O movimento ocorre em um momento de grande fluxo de soja e milho em direção aos portos exportadores, impulsionado pela produtividade elevada das lavouras favorecidas pelas condições climáticas da safra 2025/26.
Na prática, o aumento da produção intensificou a disputa por caminhões disponíveis para transporte, principalmente nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste e Matopiba.
“O princípio básico da oferta e demanda se aplica diretamente ao cenário atual. As tradings agrícolas possuem praticamente a mesma disponibilidade de caminhões para uma safra maior, o que acaba elevando os preços dos fretes”, afirma o administrador, com especialização internacional em Marketing e Estratégia de Negócios e MBA em IA e Dados para Negócios, Thiago Cardoso.
Segundo ele, o problema vai além da simples falta de veículos e expõe fragilidades estruturais da logística nacional. A dificuldade de armazenagem é um dos fatores que intensificam o cenário atual. Com capacidade limitada para estocar parte da produção, empresas acabam utilizando os próprios caminhões como estrutura temporária de armazenamento.
O resultado é o aumento do tempo de parada dos veículos, reduzindo a disponibilidade da frota para novas operações e pressionando ainda mais os preços do transporte. “Na tentativa de armazenar o estoque frente à alta da safra, as trades agrícolas estocam produtos dentro ou em cima dos caminhões, deixando-os parados por mais tempo”, explica Cardoso.
Foto: Geraldo Bubniak
Esse efeito cria um ciclo de ineficiência logística justamente no momento de maior necessidade de escoamento da produção agrícola.
Além da limitação de armazenagem, o setor continua enfrentando problemas relacionados à infraestrutura de transporte. Estradas deterioradas, baixa integração ferroviária e limitações nas hidrovias reduzem a fluidez das operações e elevam custos logísticos ao longo da cadeia.
A dependência do modal rodoviário também amplia a vulnerabilidade do sistema durante os períodos de pico da safra. “O Brasil ainda opera com forte desequilíbrio logístico, concentrando grande parte do transporte agrícola em caminhões, enquanto outros modais permanecem subutilizados em regiões estratégicas de produção”, aponta Cardoso.
Intermodalidade
Foto: Geraldo Bubniak/AEN
Diante do aumento dos custos, a intermodalidade aparece como uma das principais alternativas para ampliar eficiência e reduzir pressão sobre o transporte rodoviário.
Segundo Cardoso, a combinação entre rodovias, ferrovias e hidrovias pode aumentar a capacidade operacional do sistema e reduzir custos no escoamento da produção. “A intermodalidade é uma das principais formas de contribuir para a melhoria desse cenário, utilizando diferentes modais para reduzir custos e aumentar eficiência”, ressalta.
Tecnologia e monitoramento
Além da diversificação dos modais, o uso de tecnologia logística ganha espaço entre tradings, cooperativas e operadores de transporte. Ferramentas de monitoramento de frota, sistemas integrados de gestão e distribuição mais estratégica de armazéns ajudam a reduzir deslocamentos desnecessários e melhorar o aproveitamento operacional dos caminhões. “A utilização de sistemas de monitoramento permite otimizar a movimentação dos veículos e sugerir trajetos mais eficientes”, menciona Cardoso.
A avaliação do setor é que, enquanto o país amplia sua produção agrícola em ritmo acelerado, a logística continua sendo um dos principais limitadores da competitividade brasileira no mercado global de grãos.