Os preços do açúcar encerraram a sessão desta terça-feira (26) em queda nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque e Londres, os contratos recuaram mais de 1%, pressionados pela desvalorização do petróleo e pelo avanço das exportações da Tailândia, segundo maior exportador mundial da commodity.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou negociado a 14,54 cents por libra-peso, com queda de 16 pontos. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou cotado a US$ 436,90 por tonelada, recuo de 550 pontos.
Petróleo pressiona mercado
Os preços do açúcar ampliaram as perdas ao longo do pregão acompanhando a forte queda do petróleo bruto, que também atingiu mínimas de aproximadamente duas semanas e meia.
A desvalorização do petróleo reduz a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis e pode estimular usinas ao redor do mundo a destinarem maior volume de cana para a produção de açúcar, aumentando a oferta global da commodity.
Exportações da Tailândia aumentam
Outro fator de pressão veio da Tailândia. As exportações de açúcar do país entre janeiro e abril de 2026 cresceram 29% na comparação anual, alcançando 1,6 milhão de toneladas.
O aumento da disponibilidade no mercado internacional reforça a percepção de oferta elevada no curto prazo e limita movimentos mais consistentes de recuperação das cotações.
El Niño segue dando suporte aos preços
Apesar das perdas do dia, o mercado continua atento aos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que podem reduzir a produção global de açúcar nos próximos meses.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com persistência até o fim do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um “Super El Niño”.
O mercado teme impactos climáticos principalmente no Brasil, Índia e Tailândia, três das principais regiões produtoras de açúcar do mundo.
Mercado interno segue lento
No mercado brasileiro, o ritmo das negociações permanece enfraquecido. De acordo com o Cepea, o mercado spot paulista de açúcar cristal operou lentamente na última semana, com compradores retraídos e aguardando novas baixas nos preços.
Pesquisadores do Cepea destacam que, apesar da expectativa de ampla oferta ao longo da safra, projeções recentes indicam redução no ATR médio e um mix mais direcionado à produção de etanol, fatores que podem limitar a oferta de açúcar no curto prazo.
No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na ICE Futures também perderam força diante do avanço das exportações tailandesas nos primeiros meses de 2026.