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Produtos do esmagamento de soja ampliam diversificação de mercados e geração de valor na cadeia agroindustrial

A expansão do processamento de soja no Brasil tem ampliado a relevância dos produtos do esmagamento como instrumentos de diversificação de mercados, eficiência industrial e geração de valor na cadeia agroindustrial. Farelo, óleo e derivados deixaram de ser avaliados apenas como resultados do processamento do grão e passaram a ocupar papel estratégico na composição de receitas, no atendimento a diferentes setores e na redução da exposição a oscilações de mercado.

Esse movimento ocorre em um contexto de maior demanda por produtos derivados da soja. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o processamento de soja no Brasil deve alcançar 62,2 milhões de toneladas em 2026, com produção estimada de 47,9 milhões de toneladas de farelo e 12,5 milhões de toneladas de óleo de soja.

A avaliação é de Jayson Lee, Vice-presidente de esmagamento de grãos e gestão de riscos da ADM na América Latina, para quem a competitividade da indústria está cada vez mais associada à capacidade de transformar a soja em produtos com múltiplas aplicações e destinos comerciais.

“O esmagamento permite que uma mesma matéria-prima seja direcionada a diferentes cadeias de valor. O farelo atende principalmente à nutrição animal, enquanto o óleo pode ser utilizado em alimentos, biodiesel e outras aplicações industriais. Essa diversificação contribui para reduzir riscos comerciais e amplia a capacidade da indústria de responder às mudanças de demanda”, afirma Lee.

No Brasil, a ADM atua de forma integrada em originação, processamento, logística, certificações e soluções ao cliente. Esse modelo permite conectar produtores, indústrias e mercados, fortalecendo eficiência, confiabilidade e geração de valor ao longo da cadeia. A companhia avalia que os produtos do esmagamento têm papel central nesse processo, por ampliarem as possibilidades de comercialização e permitirem maior flexibilidade na gestão industrial.

Biocombustíveis ampliam demanda por óleo de soja

O avanço de mercados como proteína animal, biocombustíveis, alimentos e soluções industriais tem ampliado o uso dos produtos da soja em diferentes segmentos. O farelo segue como insumo relevante para cadeias de aves, suínos, bovinos, peixes e outros sistemas de produção animal. Já o óleo de soja mantém presença no mercado alimentício e ganha relevância adicional com a evolução da demanda por biodiesel.

A agenda regulatória dos biocombustíveis reforça esse cenário. Em maio, o Ministério de Minas e Energia aprovou um plano de testes para avaliar a viabilidade do uso de óleo diesel com teores de biodiesel superiores a 15% e de até 25% na mistura. A portaria prevê uma primeira fase com misturas acima de 15% e até 20%, seguida por uma segunda etapa com percentuais superiores a 20% e até 25%. O plano não altera de imediato o cronograma legal da mistura obrigatória, mas busca reunir evidências técnicas sobre desempenho, segurança operacional e adequação do combustível.

A discussão tem relação direta com a cadeia da soja, já que o óleo de soja é uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil. Segundo o próprio MME, em um relatório sobre dinâmica de matérias-primas para biocombustíveis, o óleo de soja tem participação histórica de cerca de 70% na produção nacional de biodiesel desde o início do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel.

Para Rodrigo Nascimento, diretor de Óleos e Biodiesel da ADM, esse ambiente reforça a importância de uma operação industrial capaz de equilibrar diferentes mercados. “Quando a indústria amplia os destinos possíveis para os produtos do esmagamento, ela também aumenta sua capacidade de gestão. A diversificação de aplicações permite equilibrar melhor oferta, demanda, logística e margens em diferentes momentos do ciclo de mercado”, afirma.

Farelo sustenta demanda da proteína animal

Enquanto o óleo de soja ganha relevância adicional no debate sobre biocombustíveis, o farelo permanece como um dos principais destinos econômicos do esmagamento. Sua aplicação na nutrição animal conecta a indústria de processamento às cadeias de proteína, incluindo aves, suínos, bovinos, peixes e outros sistemas produtivos.

A produção projetada de 47,9 milhões de toneladas de farelo em 2026 indica a importância desse coproduto para o abastecimento interno e para o comércio exterior. O crescimento do processamento, portanto, não responde apenas à demanda por óleo, mas também à necessidade de atender mercados consumidores de proteína animal, que dependem de insumos regulares e com especificações adequadas.

“O valor do processamento está na capacidade de atender simultaneamente mercados distintos. Óleo e farelo têm dinâmicas próprias, mas são produzidos a partir da mesma matéria-prima. Por isso, a gestão integrada da cadeia é essencial para que a indústria consiga operar com eficiência e previsibilidade”, afirma Lee.

Esse movimento reforça a importância do Brasil como plataforma de produção agrícola e industrial. A escala da safra, a presença de unidades de processamento e a demanda interna por farelo e óleo criam condições para que o país avance na agregação de valor à soja, atendendo tanto o mercado doméstico quanto mercados externos.

Diversificação contribui para reduzir risco comercial

Em um setor exposto a variações de preço, câmbio, custos logísticos, clima, regulação e mudanças na demanda global, a possibilidade de direcionar produtos a diferentes mercados é um fator de resiliência. A diversificação de receitas reduz a dependência de um único destino comercial e contribui para maior previsibilidade na operação industrial.

“O mercado de commodities exige disciplina operacional e gestão de risco. A indústria precisa acompanhar margens, disponibilidade de matéria-prima, demanda por farelo, consumo de óleo, ambiente regulatório e condições logísticas. Quanto maior a habilidade de combinar esses elementos, maior a eficiência da operação”, afirma Lee.

Segundo o executivo, a integração entre originação e processamento é essencial para sustentar essa estratégia. A compra da matéria-prima, o planejamento industrial, o escoamento dos produtos e o atendimento aos clientes precisam estar conectados para que a cadeia opere com eficiência.

“Não se trata apenas de esmagar soja. O valor está na competência para planejar a operação de ponta a ponta, desde a originação do grão até a entrega do produto final ao cliente. Essa integração é o que permite transformar os produtos em soluções para diferentes mercados”, explica

Integração industrial fortalece eficiência da cadeia

A ADM avalia que o futuro do processamento está ligado à possibilidade de combinar escala, inteligência de mercado e proximidade com clientes. Em vez de operar apenas com foco no volume de grãos, a indústria passa a considerar a destinação de cada coproduto, as especificações demandadas pelos clientes, os custos logísticos, as certificações e as oportunidades em mercados complementares.

Esse modelo permite que o esmagamento funcione como elo entre a produção agrícola e diferentes cadeias industriais. Ao transformar a soja em farelo, óleo e derivados, a indústria contribui para abastecer setores como proteína animal, alimentos, energia e outras aplicações produtivas.

“O esmagamento é uma etapa que conecta o campo à indústria e aos mercados. Quando bem integrado, ele fortalece a previsibilidade da cadeia, melhora o uso dos ativos industriais e amplia as alternativas comerciais para a companhia e para seus clientes”, conclui Lee.

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