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O mercado da soja intensifica seus ganhos no início da tarde desta segunda-feira (6) e sobe quase 50 pontos – ou quase 4% – nos contratos mais negociados na Bolsa de Chicago. O tempo do “weather market” chegou com preocupações intensas sobre o as condições no Corn Belt para os próximos dias, levando o julho a US$ 11,80 e o novembro – contrato mais negociado agora – a US$ 11,94 por bushel.
Ainda na CBOT, milho e farelo de soja também sobem forte, com mais de 3% de alta, enquanto trigo e óleo têm ganhos da ordem de 2% entre as principais posições.
No Brasil, os preços também acompanham os ganhos e, nos portos, segundo relata o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, já estão até R$ 2,00 por saca mais altos do que os da última semana. No entanto, com as altas que se observam em Chicago, os valores poderiam estar de R$ 4,00 a R$ 6,00 mais elevados, porém, a baixa do dólar frente ao real acaba limitando os ganhos no mercado nacional. “O mercado interno está melhor, mas não como cresce em Chicago. Os prêmios perderam um pouco de força porque a semana começou com mais oferta”, explica.
A moeda americana, perto de 13h45 (Brasília), recuava 0,35% para R$ 5,15.
O principal motor por trás desse rali nas cotações é a instabilidade e as previsões meteorológicas para o Meio-Oeste dos Estados Unidos. Após a divulgação dos dados de área plantada do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) na virada do mês, o foco dos fundos de investimentos e dos traders migrou 100% para o potencial produtivo das lavouras.
“As previsões de anomalia do NWS aponta temperaturas acima da média para a maior parte do meio-oeste americano, enquanto as precipitações devem se manter levemente abaixo da média”, informa o Grupo Labhoro, em seu reporte de abertura da semana.

O mercado também aguarda o relatório Crop Progress do USDA, com expectativa de deterioração nas condições das lavouras após o período de calor intenso registrado na última semana. Os números atualizados chegam às 17h (Brasília).
Além do clima nos EUA, a onda de calor que acomete a Europa também traz fortes preocupações para regiões produtoras, em especial de trigo, o que ajuda a puxar os preços da soja não só na Bolsa de Chicago, mas nas bolsas internacionais de uma forma geral.
“As elevadas temperaturas registradas em grande parte do Meio-Oeste nos últimos aumentaram as preocupações com possíveis impactos sobre o desenvolvimento das lavouras. A onda de calor levou os índices de calor a ultrapassarem 40°C em diversas regiões do Corn Belt. Embora a umidade do solo ainda seja considerada favorável após as chuvas de junho, especialistas alertam que o calor intenso, sobretudo quando acompanhado de noites quentes, pode elevar o estresse das plantas e acelerar a perda de umidade. No milho, o maior risco está sobre a polinização, fase determinante para a formação dos grãos. Na soja, as preocupações se concentram na floração e no enchimento das
vagens”.
Além do clima adverso nos EUA, a demanda da China mais presente no mercado norte-americana também tem sido um pilar importante no movimento de recuperação das cotações. A nação asiática tem ampliado suas compras de soja dos Estados Unidos e, como explicou o analista de mercado da Agrinvest Commodities e Marex, Eduardo Vanin, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta segunda-feira, pode aumentar estas compras daqui em diante. Todavia, Vanin chama a atenção para a audiência pública que acontece nos EUA sobre as tarifas e relações comerciais do país com outros 60, o que também pode ajudar a definir o futuro do comportamento comprador dos chineses.
Reveja sua entrevista completa:
Vanin complementou sua análise com a orientação de que este é um momento importante para o produtor brasileiro. “É o momento de apertar o botão da venda”, diz, sinalizando que as estratégias permitem, inclusive, que o produtor pode travar somente o bushel caso a decisão seja condizente com sua gestão.