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China volta às compras de soja dos EUA, mas mercado vê movimento mais político do que comercial

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A China comprou mais soja nos Estados Unidos. De acordo com o reporte trazido pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) desta quinta-feira (9) sobre vendas de 456 mil toneladas vendidas da oleaginosa, 136 mil têm a China como destino e todo o volume é da safra 2026/27. O restante de 120 mil toneladas – também da safra nova – se dá a destinos não revelados, o que o mercado especula, mais uma vez, ser também aquisição feita pela nação asiática. 

Este é o segundo anúncio de vendas dos Estados Unidos para a China feito nesta semana pelo USDA, confirmando os rumores que circulavam nos bastidores do mercado nas últimas semanas. A informação, todavia, já não causa grande furor entre os preços da commodity negociados na Bolsa de Chicago – que hoje recuam – justamente por já terem sido precificadas antes. 

Ainda assim, os sinais de um fluxo melhor de negócios entre as duas maiores economias do mundo são sempre importantes de serem observados. 

“A China não tem a necessidade de compra iminente, boa parte destas compras tem sido feita por lobby. A China está enxergando um mercado mais altista a longo prazo, porque ela passa agora por uma estocagem saudável na base portuária, com os maiores níveis desde 2022, as margens de esmagamento não estão nem perto de estarem em patamares saudáveis agora”, explica o diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira. 

NECESSIDADE, LOBBY E ESTOQUES GOVERNAMENTAIS

O especialista afirma, portanto, que a conjuntura fundamental da maior compradora global da oleaginosa não justificaria compras agressivas de soja no atual momento. “Se olharmos somente para números e não para tendências, colocaríamos a China sem a necessidade de compra no atual momento e muito pelo contário. Está comprando ativamente, ainda apostando que o atual cenário de preço de soja é remunerador e também fazendo o lobby político com os americanos, garantindo uma tratativa, um sinal de ‘cessar-fogo’, não por necessidade, mas por tendência fundamental ou lobby”. 

Pereira relata ainda que a China tem mais de nove milhões de toneladas de soja em base portuária, o maior volume desde novembro de 2021. 

Se a China não precisa comprar, os Estados Unidos precisam vender. Produtores rurais norte-americanos ouvidos pela imprensa especializada local afirmam que com a safra caminhando bem até aqui – e diante de preocupações que são mais graves a partir da segunda quinzena deste mês – ver a nação asiática novamente procurar pela soja americana será fundamental para preços melhores. Ainda assim, a cautela permanece entre eles. 

“Embora o moral esteja mais elevado entre os produtores de soja com o início da safra de 2026, o custo do plantio continua alto, e os dados do Departamento de Agricultura dos EUA mostram que ainda há um longo caminho a percorrer até que as compras da China atinjam os níveis anteriores à guerra comercial”, afirma Cassandra Stephenson, repórter do portal Mississippi Today.

Cassandra ouviu o diretor executivo do Conselho de Promoção da Soja do Tennessee, Stefan Maupin, que afirmou que “houve alguns movimentos positivos nas relações comerciais com a China, especificamente com a soja, que fizeram com que os mercados melhorassem em relação ao ano passado. No entanto, definitivamente não estamos onde estávamos em anos anteriores. Para a maioria dos agricultores, a grande questão é: será que a situação vai se recuperar?”.

Não só produtores rurais, mas também especialistas norte-americanos concordam que embora haja o acordo comercial alinhado entre China e Estados Unidos, as duas pontas compreendem que as compras chinesas feitas no mercado norte-americano são, quase que exclusivamente, para a composição de estoques governamentais do país asiático. 

“Dados da alfândega chinesa mostram que todas as 8,3 milhões de toneladas métricas de soja americana que chegaram até maio foram importadas por empresas com sede em Pequim. Isso indica que empresas estatais estão cumprindo o compromisso de compra assumido pela China em outubro de 2025. Em contrapartida, 26,4 milhões de toneladas de soja brasileira e argentina foram importadas por empresas espalhadas pelas regiões costeiras de esmagamento da China. Os maiores volumes estiveram ligados a Shandong, Jiangsu e Xangai”, explica Dr. Fred Gale, economista aposentado do USDA, ao RFD-TV. 

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