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A soja americana está cara, é mais cara do que a brasileira, mas a China segue fazendo novas compras nos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) informou uma nova venda da oleaginosa da safra 2026/27 de 374 mil toneladas, sendo 264 mil para a nação asiática e 110 mil para destinos não revelados. As compras são classificadas como “políticas” pelo mercado, apesar dos preços mais elevados. A China já comprou 427 navios até agora, concentrados nos embarques setembro – 15 barcos – e outubro – 27 embarcações. Do Brasil, foram adquiridos 47 navios e cinco entre Argentina, Uruguai e Canadá.
Segundo explica Eduardo Vanin, Sênior Agriculture Strategist da Marex, a soja que será embarcada em setembro é aquela plantada na região do Delta nos EUA, que é semeada mais cedo e, consequentemente, colhida também mais cedo, com embarque pelos portos do Golfo e com uma logísitica um pouco mais barata.
“Essa é a soja mais ‘barata’ que os Estados Unidos têm e ainda é bastante cara e o Brasil se dá muito bem nesta história. Isso porque trabalhamos com um desconto comparados ao ano passado, mas o nível de negócios é mais caro nos EUA, não só os prêmios tanto no interior, quanto no FOB, mas também o flat price. E assim o Brasil não precisa trabalhar com um grande desconto – embora já seja um bom desconto, de cerca de 30 cents por bushel – e vai tendo preços muito bons no final do ano, para essa janela setembro/outubro/novembro/dezembro”, detalha Vanin.
Reveja sua entrevista completa ao Bom Dia Agronegócio desta segunda-feira:
E o especialista é taxativo e direto ao dizer que não há espaço para que, em dado momento, a soja americana se torne mais barata do que a brasileira, com isso podendo, inclusive, impactar a demanda pela oleaginosa do Brasil de alguma forma.
“E isso por dois pontos: primeiro pela logística, porque ainda nem começou a temporada (nos EUA) e os fretes das barcaças estão subindo, fretes ferroviários também porque há um grande programa de farelo e de milho, além da soja pelo PNW (portos do Pacífico) que foi ruim nos últimos dois anos, além do esmagamento crescendo e margens também, perto de US$ 110,00 por tonelada positivas. Não vejo como a soja americana ser barata, e o Brasil vai acompanhandno com o nível que for com algum desconto”, afirma o analista.
Soma-se a este quadro o fato de que ainda há as tarifas sobre a soja americana e, mesmo sem elas, a oleaginosa do Brasil permaneceria mais barata.
Vanin estim que o Brasil finalize 2026 exportando 113 milhões de toneladas de soja, com 86 milhões de toneladas para a China. O volume total poderia chegar a 114, com a China respondendo por 87 milhões, “e a soja americana vai ser só para as estatais mesmo (…) Essas compras de soja americana elas vão parte para as reservas e parte para o esmagamento – não de empresa privada, mas será processada – isso substitui um pouco o Brasil. Mas, como temos uma participação menor do da Argentina, a coisa está apertada para este final de ano”.
Dados reportados pela Administração Geral das Alfândegas da China nesta segunda-feira mostram que as importações de soja pelo país registraram um recuo de 21% em junho se comparadas ao mesmo mês de 2025. Todavia, contabilizando somente compras do Brasil, no mesmo intervalo, houve um aumento de 13,7%, com o volume saltando de 10,62 para 12,08 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a junho, a chegada de soja brasileira nos portos asiáticos cresceu 9,¨%, para 34,75 milhões de toneladas.