
O avanço das chuvas sobre áreas produtoras de arroz no Mercosul começa a colocar o calendário de plantio da safra 2026/27 no centro das atenções, com menos dias disponíveis para preparo do solo e semeadura. A avaliação é de Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, que aponta o fim de agosto como um momento em que o fator tempo passa a ganhar peso para a nova temporada.
Segundo Cardoso, ainda há regiões com áreas destinadas ao arroz que precisam ser preparadas, enquanto a sequência de precipitações limita as oportunidades de trabalho no campo. Por enquanto, o cenário não indica problemas para a safra, mas reduz a folga existente no calendário.
No Paraguai, algumas regiões já iniciam a semeadura em agosto. A partir de setembro, Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai também avançam para suas janelas de plantio. Com chuvas previstas, a atenção se volta para a quantidade de dias em que máquinas e equipes poderão entrar nas lavouras.
O analista observa que não é necessário ocorrer um evento climático extremo para haver impacto sobre a produção. Chuvas persistentes podem atrasar operações, concentrar o trabalho em períodos curtos e empurrar parte da semeadura para momentos menos favoráveis.
A época de plantio também interfere no potencial produtivo. Quanto maior o afastamento da janela recomendada para cada região e cultivar, maior pode ser a exposição do arroz a condições menos adequadas de temperatura e radiação em fases importantes do desenvolvimento.
Cardoso considera que ainda é cedo para projetar redução de área, perdas de produtividade ou problemas na safra. Mesmo assim, o número de dias disponíveis para preparar as áreas e semear dentro das melhores janelas surge como uma das primeiras variáveis climáticas a serem acompanhadas na safra 2026/27.