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Mosaico comum exige atenção no monitoramento das lavouras de algodão

O mosaico comum é uma doença que pode comprometer o desenvolvimento do algodoeiro e reduzir o potencial produtivo da lavoura. Em áreas extensas, o acompanhamento entre março e agosto ganha importância porque ajuda a identificar os primeiros focos, acompanhar a evolução dos sintomas e entender como a doença está distribuída no campo. A doença é causada por vírus e provoca alterações na coloração das folhas. Um dos sinais mais comuns é o aparecimento de manchas irregulares em tons claros e escuros de verde. Também podem ocorrer pequenas deformações nas folhas e redução da área disponível para a fotossíntese.

Um dos principais desafios é o diagnóstico. Os sintomas podem ser confundidos com deficiência de nutrientes, especialmente Nitrogênio e Enxofre, ou com danos provocados por herbicidas. No mosaico, as manchas costumam aparecer de forma irregular. Já as deficiências nutricionais tendem a apresentar padrões mais uniformes e relacionados às nervuras das folhas. Casos de fitotoxicidade podem apresentar necroses, deformações mais fortes e relação com as faixas onde o produto foi aplicado.

Monitoramento ajuda a encontrar os primeiros focos

O vírus pode ser transmitido por insetos sugadores que circulam pela lavoura. A presença de plantas hospedeiras, plantas voluntárias, plantas daninhas, condições climáticas e a época de plantio também podem influenciar a ocorrência da doença. Em grandes talhões, os primeiros focos podem passar despercebidos quando o monitoramento não segue uma rota organizada. Por isso, uma das recomendações é dividir a área em partes menores e identificar cada uma delas com códigos.

Essa divisão pode levar em conta diferenças de solo, histórico da doença, presença de vetores, data de plantio e acessos disponíveis dentro da propriedade. Depois disso, as equipes podem definir rotas fixas para percorrer a lavoura. Entre os modelos citados estão os trajetos em formato de “W” e em zigue-zague. O objetivo é não observar apenas as bordas, mas também o centro e diferentes pontos do talhão.

Bordaduras próximas de áreas com plantas daninhas ou voluntárias, entradas de máquinas, carreadores e reboleiras com histórico de problemas fitossanitários merecem atenção especial.

Frequência das inspeções muda ao longo do ciclo

Entre março e agosto, o algodão pode passar por diferentes fases, como crescimento vegetativo, florescimento, frutificação e enchimento de maçãs. A etapa encontrada no campo depende da data de semeadura e do ciclo da cultivar. No início do desenvolvimento, entre março e o começo de abril, a atenção pode ser maior para os sintomas que aparecem nas folhas jovens. Em áreas com histórico da doença ou maior presença de hospedeiros e vetores, podem ser realizadas inspeções semanais.

Entre abril e junho, com o crescimento da cultura e o fechamento das entrelinhas, o acompanhamento pode ser ajustado, mantendo pelo menos inspeções quinzenais e aumentando a frequência onde o mosaico já foi identificado. De junho a agosto, próximo da colheita, o foco passa a incluir o registro da extensão da doença, da severidade e dos possíveis efeitos observados nas plantas. Essas frequências são referências para organização do trabalho e não uma regra fixa para todas as propriedades.

Registros ajudam a acompanhar a evolução

Além de identificar plantas com sintomas, é importante registrar o que foi encontrado em cada ponto da lavoura. Entre as informações que podem ser anotadas estão o número total de plantas avaliadas, a quantidade de plantas com sintomas e a severidade média, ou seja, uma estimativa de quanto da área das folhas apresenta sinais da doença.

Esses dados ajudam a calcular a incidência, que representa a proporção de plantas com sintomas, e permitem comparar a situação do mesmo talhão ao longo das semanas. Mapas também podem facilitar esse acompanhamento. Eles podem indicar os limites do talhão, as subdivisões, os carreadores, as rotas percorridas pela equipe e os locais onde os sintomas foram encontrados.

Quando há acesso a aplicativos de monitoramento, é possível registrar coordenadas, fotografias e observações diretamente no campo. A partir dessas informações, podem ser produzidos mapas que mostram onde a incidência é maior e como os focos evoluem ao longo do tempo.

Dados podem orientar ações de manejo

O monitoramento do mosaico comum também pode ser integrado ao acompanhamento de insetos vetores e de outros problemas fitossanitários. Se o aumento dos sintomas ocorrer em áreas com maior presença de insetos sugadores, por exemplo, pode ser necessário revisar as estratégias de monitoramento e manejo desses vetores.

Focos frequentes nas bordas também podem chamar a atenção para a presença de plantas voluntárias ou hospedeiros alternativos. Nessas situações, os registros ajudam a identificar as áreas que precisam de maior acompanhamento.

O manejo de plantas que já estão infectadas é limitado. Por isso, as principais medidas estão ligadas à prevenção, com ações como manejo de vetores, rotação de culturas, eliminação de hospedeiros alternativos e uso de cultivares com melhor desempenho diante da doença.

Diagnóstico deve ser confirmado em caso de dúvida

Como os sintomas podem se parecer com outros problemas da lavoura, o treinamento da equipe é importante para reduzir erros de identificação. Em situações duvidosas, a orientação é coletar amostras e buscar confirmação em laboratório ou instituição de pesquisa, com acompanhamento de um engenheiro agrônomo. Esse cuidado ajuda a evitar diagnósticos incorretos e intervenções desnecessárias.

As decisões envolvendo produtos para controle de vetores devem seguir rótulo, bula e receituário agronômico. Também é necessário respeitar as medidas de segurança durante as inspeções, especialmente em áreas que tenham recebido aplicações recentes. Com rotas definidas, registros padronizados e acompanhamento frequente, o produtor consegue construir um histórico da ocorrência do mosaico comum na propriedade. Essas informações podem ajudar nas decisões durante a safra e no planejamento das medidas preventivas para os ciclos seguintes.

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