
O algodão em Mato Grosso manteve papel central no desempenho brasileiro no mercado internacional no início do ciclo comercial 2026/27. Em agosto de 2026, o Brasil exportou 106,35 mil toneladas de pluma, volume 37,28% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, e 58,32% dos embarques tiveram origem em Mato Grosso. O movimento ocorre à medida que a produção da safra 2025/26 chega ao mercado após a colheita e o beneficiamento da fibra, segundo informações divulgadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
A participação mato-grossense ganha peso em um momento em que o Brasil busca manter a liderança mundial nas exportações de pluma. De acordo com o boletim, o país ocupa a primeira posição desde a safra 2022/23, quando ultrapassou os Estados Unidos. Para o ciclo comercial 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que os embarques brasileiros fiquem 24,39% acima dos norte-americanos.
O Imea estima que Mato Grosso exporte 2,09 milhões de toneladas de pluma no ciclo comercial 2026/27, volume referente à produção da safra 2025/26. O instituto destaca que, no caso do algodão, o período de produção e o ciclo comercial não coincidem. A safra 2025/26, colhida a partir de junho de 2026, começa a disponibilizar pluma para exportação por volta de agosto, após o beneficiamento, e os embarques se estendem pelo ciclo comercial de agosto de 2026 a julho de 2027.
Além do avanço das exportações, a comercialização da produção também segue em andamento no estado. A safra 2025/26 chegou a 75,52% da produção estimada negociada em agosto, avanço mensal de 1,52 ponto percentual. Mesmo com a valorização dos preços, o ritmo das vendas permaneceu mais cauteloso, conforme a análise do Imea.
Segundo o instituto, parte dos produtores já possui uma parcela da produção comprometida com contratos fechados anteriormente e, por isso, tem priorizado essas entregas antes de assumir novos compromissos. A cautela também está relacionada às incertezas sobre a qualidade da fibra, diante das condições de chuva registradas durante o ciclo. Para a safra 2026/27, a valorização da pluma na Bolsa de Nova York estimulou novas negociações em Mato Grosso. O movimento ocorre em meio às preocupações com o elevado custo de produção da próxima temporada. O texto analítico do boletim informa que a comercialização alcançou 39,34% da produção estimada, enquanto o preço médio negociado chegou a R$ 140,46 por arroba, alta de 8,43% em relação ao mês anterior.
A colheita da atual temporada, por sua vez, está próxima do encerramento. Na última sexta-feira considerada pelo levantamento, 97,30% das áreas de algodão em Mato Grosso já haviam sido colhidas, avanço semanal de 8,64 pontos percentuais. A tabela de acompanhamento do Imea mostra uma rápida evolução ao longo de agosto, com o índice passando de 41,31% no início do mês para 97,30% entre 31 de agosto e 4 de setembro.
Entre os demais indicadores do mercado, o dólar recuou 0,53% na semana, enquanto o poliéster avançou 6,42%, acompanhando a valorização do petróleo. A paridade para julho de 2027 ficou em R$ 161,31 por arroba, com queda de 1,16%, enquanto a referência para dezembro de 2027 recuou 1,97%, para R$ 149,72 por arroba.