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O complexo da soja opera com fortes altas nesta quinta-feira (10) na Bolsa de Chicago (CBOT). O movimento é generalizado, com as cotações do grão, do farelo e do óleo registrando avanços expressivos de quase 2% cada um deles, impulsionados por uma dobradinha explosiva: forte demanda e disparada nos custos de energia.
O principal gatilho do dia veio do USDA, que confirmou novas compras massivas por parte da China. O boletim oficial reportou a venda de 272 mil toneladas de soja para os chineses e mais 206,5 mil toneladas para destinos não revelados, todas referentes à safra 2026/27.
Segundo análise da Agrinvest Commodities, os anúncios dos últimos dois dias somam 918,5 mil toneladas. Os volumes avançam para que a China cumpra a meta de comprar 25 milhões de toneladas dos Estados Unidos até o final deste ano. Quase metade desse volume já foi garantido.
Todo esse movimento agressivo de compras ocorre diante da proximidade da visita do líder chinês, Xi Jinping, a Washington nos próximos dias, consolidando o viés altista e validando a sustentação dos preços do grão no mercado internacional.
Além da demanda, o mercado de energia joga gasolina na fogueira da alta dos biocombustíveis. Os preços do petróleo dispararam mais de 5% na Bolsa de Londres, com o Brent operando acima dos US$ 105 por barril. O estopim é a falta de acordo entre Irã e Estados Unidos, mantendo o Estreito de Ormuz fechado, somado ao corte na estimativa de produção pela Opep.
Esse cenário fortalece diretamente o canal de óleos vegetais. O óleo de soja lidera as altas em Chicago, subindo mais de 1% na tarde de hoje, cotado a 71,77 cents de dólar por libra-peso (vencimento dezembro). No farelo de soja, os ganhos também são intensos, estimulados ainda pelos avanços paralelos do milho e do trigo.
E DAÍ, PRODUTOR?
Para o produtor brasileiro, o cenário de Chicago em alta, combinado com um dólar que, apesar de ainda orbitar próximo dos R$ 5,10 e operar em baixa nesta quinta, mantém aberta a janela de comercialização estratégica aberta para o produtor brasileiro.
Com os custos de produção em reais subindo, especialmente combustíveis, garantir travas de venda com base nessas altas no exterior e no câmbio atual é fundamental para proteger a margem, afirmam analistas e consultores de mercado.
Os preços nos portos já registram altas em reação aos últimos dia,c om o CIF Paranaguá, para o spot com pagamento em 30 de outubro, testando os R$ 165,50 por saca. Para julho de 2027, a referência chegou aos R$ 161,00.