
O manejo da Spodoptera frugiperda ainda representa um desafio nos sistemas que integram soja, milho segunda safra e algodão. A presença da lagarta na oleaginosa pode favorecer sua multiplicação e aumentar a pressão da praga sobre as culturas seguintes, elevando o risco de perdas ao longo da safra.
Com foco na temporada 2026/27, a AgBiTech Brasil lançou a campanha Barreira Spodoptera, voltada à conscientização dos produtores sobre a necessidade de controlar a praga desde a soja. Segundo Victor Hugo Costa, especialista da empresa, parte dos sojicultores ainda não considera relevantes os danos causados pela lagarta, embora as perdas possam variar entre 10% e 20% da produção.
A preocupação aumenta porque a sobrevivência da praga na soja pode ampliar sua população no milho e no algodão. Nesses cultivos, conforme Costa, os prejuízos podem chegar a 70% da produção, com perdas estimadas entre 20 e 30 sacas por hectare.
A pesquisadora Cecilia Czepak, da Universidade Federal de Goiás, já havia alertado que áreas de soja sem manejo podem funcionar como ambientes de multiplicação de lagartas, favorecendo explosões populacionais nas culturas subsequentes.
A campanha prevê suporte técnico para o uso de baculovírus e sua rotação com produtos químicos. Ensaios da empresa registraram eficácia superior a 80% no controle da praga em soja e milho com baculovírus aplicados no início das infestações. “A prática tornou-se necessária face à enorme capacidade de multiplicação da lagarta rumo aos cultivos subsequentes”, diz Marcellino. “Há na sojicultura brasileira potencial para o avanço da adesão a baculovírus, enquanto ferramenta estratégica de manejo da ‘Spodoptera frugiperda’.”