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Os preços da soja no Brasil abriram a semana em tom positivo e recuperando parte das perdas da última sexta-feira (11). A combinação de dólar valorizado, prêmios sustentados nos portos e uma reação pontual em Chicago garantiu um ganho de R$ 2,00 a R$ 3,00 por saca nas principais praças de comercialização do país, segundo relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.
Com isso, os valores no spot voltaram a rodar na casa dos R$ 162,00 a R$ 163,00 nos portos. Para a soja da safra nova, as cotações também reagiram e voltaram a superar os R$ 150,00. Nos pagamentos mais alongados, as referências já se aproximam dos R$ 160,00.
No interior do país, as negociações fluem, mas em ritmo mais cadenciado. Segundo Brandalizze, produtores que estão mais capitalizados têm segurado a oferta para avaliar o cenário eleitoral e o câmbio. Por outro lado, a indústria e os exportadores continuam ativos na busca por lotes, o que mantém os prêmios fortalecidos, em especial no disponível onde a oferta começa a ficar mais escassa no mercado nacional, com a originação um pouco mais dificultada.
“Estamos mais uma vez próximos dos melhores momentos do ano. O cavalinho está passando de novo”, afirmou o consultor.
Assim, a para o produtor que precisa pagar contas em março e abril de 2027, a recomendação é utilizar as ferramentas de comercialização e estratégia como como barter ou opções, evitando deixar toda a oferta para a colheita, momento em que os portos tendem a ficar um pouco mais pressionados, pesando sobre os prêmios.
Do mesmo modo, a valorização da soja 2025/26 continua favorecendo também uma precificação considerável melhor para a safra 20265/27, o que vai permitindo que os negócios registrem um ritmo mais aquecido, apesar de algum atraso que a comercialização ainda apresenta. Fontes ouvidas pelo Notícias Agrícolas registram bons preços sendo ofertados no interior do Brasil, em especial onde tanto demanda interna, quanto para exportação são fortes e os volumes de produto disponível já é mais limitado.
No interior do Brasil, o plantio segue dando os primeiros passos no Paraná e no Mato Grosso, enquanto produtores monitoram o cenário eleitoral e também se preparam para a chamada “super quarta” no mercado financeiro, quando serão anunciadas decisões sobre as taxas de juros nos EUA e no Brasil.
ALTAS NA BOLSA DE CHICAGO
Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja fecharam o pregão desta segunda-feira com altas de 5 a 9,50 pontos nos contratos mais negociados. O novembro voltou aos US$ 13,04 e o maio a US$ 13,34 por bushel. Os preços do farelo e do óleo também subiram e ajudaram a dar espaço aos ganhos.
Segundo informou a Agrinvest Commodities, parte da sustentação em Chicago veio dos embarques semanais dos EUA, que somaram 672,7 mil toneladas, registrando um aumento na comparação semanal de 44,8%, além de superarem as expectativas do mercado.
Ademais, o efeito petróleo chegou ao mercado da soja neste início de semana. Os futuros do brent negociados na Bolsa de Londres chegaram a superar os US$ 110,00 por barril, com altas bastante expressivas sendo registradas desde bem cedo. O WTI foi na carona e ambos concluem seus negócios neste início de semana com mais de 3% de altas.
O movimento segue como um reflexo da falta de acordo entre Irã e Estados Unidos e da regionalização cada vez mais intensa do conflito. As informações de que a paralisação de um oleoduto saudita poderia comprometer cerca de 4% do abastecimento global dominou parte do noticiário desta segunda-feira.
Do mesmo modo, o mercado também permanece atento, ainda segundo Vlamir Brandalizze, ao avanço da colheita americana da soja 2026/27, que, como tradicionalmente acontece, atua como um limitador das cotações na CBOT.