
A soja ganhou força no mercado brasileiro em agosto, com valorização de 7,9% em Sorriso, Mato Grosso, enquanto o cenário internacional passou a combinar demanda firme, estoques mais ajustados nos Estados Unidos e atenção crescente ao início do plantio da safra 2026/27 no Brasil. O comportamento das chuvas nas próximas semanas deverá ser um dos principais fatores para a formação das expectativas sobre a nova temporada.
Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a soja negociada em Sorriso registrou média de R$ 129 por saca em agosto. O movimento doméstico foi mais intenso do que o observado na Bolsa de Chicago, onde o primeiro vencimento teve média de US$ 11,99 por bushel, alta de 0,4% frente a julho.
A sustentação veio, em parte, da deterioração das lavouras norte-americanas. Ao final de agosto, 58% da soja dos Estados Unidos era classificada em condição boa ou excelente, contra 65% no mesmo período de 2025. A piora ocorreu justamente quando a cultura avançava para fases importantes de formação das vagens e enchimento dos grãos.
A demanda também ganhou peso. A China acelerou as compras da soja norte-americana da safra 2026/27 e ajudou na recuperação das vendas antecipadas dos Estados Unidos. Até o fim de agosto, os compromissos externos da nova temporada atingiam cerca de 11,9 milhões de toneladas, praticamente o dobro do registrado um ano antes.
No Brasil, além da recuperação de Chicago, câmbio e prêmios de exportação firmes contribuíram para a alta. Com a comercialização da safra 2025/26 mais avançada e a entrada no período de entressafra, produtores passaram a disponibilizar menos lotes no mercado spot, exigindo preços maiores para realizar novos negócios.
O balanço mundial também mantém o mercado atento. Para 2026/27, a produção global é projetada em 442 milhões de toneladas, enquanto o consumo também pode alcançar 442 milhões. O estoque final é estimado em 124 milhões de toneladas, com relação estoque sobre consumo de 28%, abaixo dos 29% da temporada anterior.
A partir de agora, o centro das atenções se desloca para o Brasil. No Paraná, a expectativa é de chuvas mais regulares, o que pode favorecer um avanço mais rápido da semeadura. Em Mato Grosso e Rondônia, porém, as precipitações permanecem irregulares, levando produtores a adotar maior cautela antes de colocar as máquinas no campo.