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Exportações de carne bovina recuam em agosto, mas acesso a nova quota dos Estados Unidos deve contribuir para amenizar efeitos China e UE

As vendas para o país norte americano, que cresceram forte até agosto, devem ganhar novo impulso com o acesso à nova quota que passou a vigorar a partir de setembro, reduzindo os efeitos resultantes das restrições tarifárias da China e das barreiras impostas pelo mercado europeu à carne brasileira. Abrafrigo estima que as compras chinesas retornam em novembro para a cota de 2007. Para os EUA, até o dia 14 de setembro de 2026 houve o preenchimento de 22,16% da quota de 100 mil toneladas alocada para o mês de setembro de 2026. Conforme as normas divulgadas, o volume não preenchido em um mês não será automaticamente realocado para o mês seguinte.

As exportações brasileiras de carnes e subprodutos do abate de bovinos (incluindo carne in natura, industrializada, miúdos comestíveis e outros subprodutos) apresentaram queda de 16,11% em agosto de 2026, frente ao mesmo mês do ano anterior, para US$ 1,399 bilhão. Os volumes embarcados recuaram 25,56%, para 267,34 mil toneladas. O resultado do mês de agosto refletiu principalmente o esgotamento da quota de exportações da carne bovina brasileira para o mercado chinês, de 1,106 milhão de toneladas, sendo que as vendas acima desse volume são sobretaxadas em 55%. As informações foram compiladas pela Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC.

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as exportações do setor alcançaram US$ 12,957 bilhões, com um crescimento de 19,55% em comparação ao mesmo período de 2025. Em volume, a queda no período foi de 1,14%, para 2,387 milhões de toneladas. A China se manteve como principal compradora externa da carne bovina brasileira nos primeiros oito meses do ano. No total, o país asiático foi responsável por aquisições de US$ 5,438 bilhões, com um aumento de 9,43%. Em volume, as vendas para a China apresentaram queda de 7,9%, para 873 mil toneladas. Considerando apenas o mês de agosto, as vendas de carne bovina in natura para o mercado chinês recuaram 89,62% em receitas, para US$ 92 Milhões, e 89,82% em volume, para 16 mil toneladas, frente a agosto de 2025. Com o esgotamento da quota de exportações do Brasil para a China, a expectativa é de que as vendas para o país asiático sejam retomadas a partir de novembro, para contabilização na quota do próximo ano.

Os Estados Unidos, que se consolidaram como o segundo maior importador da carne bovina brasileira, ganham impulso extra com a nova quota, de até 300 mil toneladas, livre do imposto alfandegário de 26,4%, destinada a “outros” países (que não dispõem de quota específica no mercado norte-americano). A medida tem validade a partir do mês de setembro e será subdividida em quotas mensais de até 100 mil toneladas que deverão ser preenchidas mensalmente, com validade até novembro de 2026. O Brasil deve ser o maior beneficiário dessa concessão tarifária, o que contribuirá para atenuar os efeitos do esgotamento da quota de exportações para a China nos meses de setembro a novembro de 2026.

Segundo informações do serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), compiladas pela adidância do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) nos Estados Unidos, até o dia 14 de setembro de 2026 houve o preenchimento de 22,16% da quota de 100 mil toneladas alocada para o mês de setembro de 2026. É importante destacar que, conforme as normas divulgadas, o volume não preenchido em um mês não será automaticamente realocado para o mês seguinte. A quota destina-se às exportações de aparas de carne bovina magra (beef trimmings) descritas nos códigos de classificação (Sistema HS) 0201.30.5091, 0201.30.5097, 0202.30.5091 e 0202.30.5097.

De janeiro a agosto de 2026, as vendas totais de carne bovina para os Estados Unidos alcançaram US$ 2 bilhões, com crescimento de 24,75% em relação ao mesmo período de 2025. Considerando apenas as vendas de carne bovina in natura, as vendas para o país norte-americano cresceram 62,16%, alcançando US$ 1,458 bilhão nos primeiros oito meses do ano. Em volume embarcado, houve aumento de 37,24%, para 241 mil toneladas. Apenas no mês de agosto 2026, antes, portanto, da entrada em vigor da nova quota, as vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos alcançaram US$ 182,2 milhões (+385%), com o embarque de 31,33 mil toneladas (+390%). Vale lembrar, ainda, que em agosto de 2025 havia entrado em vigor a tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo a carne bovina, o que deve favorecer ainda mais o desempenho das vendas para os Estados Unidos nos próximos 3 meses.

A União Europeia foi o terceiro maior destino das exportações brasileiras de carne bovina nos primeiros oito meses do ano. As vendas totais para o bloco europeu alcançaram US$ 791,3 milhões, com crescimento de 44,4% sobre o resultado do mesmo período de 2025. As vendas de carne bovina in natura cresceram 38,54% no período comparativo, alcançando US$ 659 milhões, com o volume embarcado aumentando 26,36%, para 72,95 mil toneladas.

Com a barreira imposta pela União Europeia à carne bovina brasileira, relacionada a dificuldades para o reconhecimento do protocolo para a produção livre de antimicrobianos, apresentado por entidades da cadeia produtiva e homologado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), estima-se que o Brasil deixará de embarcar cerca de 70 mil toneladas de produtos cárneos bovinos para a União Europeia, com impacto em torno de US$ 700 milhões para o setor no período de setembro a dezembro de 2026. Pelas informações disponíveis, o governo brasileiro ainda negocia com as autoridades europeias a possibilidade de reversão da barreira à carne brasileira.

Nos outros mercados considerados estratégicos, o Chile manteve forte ritmo de expansão, com 106,8 mil toneladas embarcadas, alta de 32,4%, e receita de US$ 650 milhões, crescimento de 47,6%. A Rússia também ampliou significativamente as compras, para cerca de 96 mil toneladas, avanço de 29,4%, enquanto a receita cresceu 46,4%, para aproximadamente US$ 454 milhões. O México, por outro lado, foi o único dos cinco mercados a registrar retração: as compras caíram 18,8%, para 65,8 mil toneladas, e a receita recuou 9,4%, para US$ 399 milhões.

Hong Kong apresentou recuperação, com 71 mil toneladas importadas, aumento de 9,9%, e faturamento de US$ 301 milhões, alta de 34,7%. Já a Arábia Saudita registrou um dos desempenhos mais expressivos, com crescimento de 24,9% em volume, para 49,7 mil toneladas, e de 56,8% em receita, que alcançou US$ 297,5 milhões. No total, o Brasil passou de 164 para 171 países compradores na comparação entre janeiro-agosto de 2025 e 2026. Destes, 126 aumentaram suas aquisições enquanto 55 reduziram.

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