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Os preços da soja aprofundaram as perdas na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (28) e passaram a recuar mais de 30 pontos nos contratos mais negociados, com o mercado ampliando a reação negativa às definições comerciais entre Estados Unidos e China e realizando parte dos ganhos acumulados nas últimas semanas. Por volta das 11h17 (horário de Brasília), o novembro/26 perdia 37 pontos, negociado a US$ 12,82 por bushel, abaixo da linha dos US$ 13,00. Mais cedo, as perdas eram de pouco mais de 20 pontos nos contratos mais negociados. Assim, a pressão ganhou força ao longo da sessão. No maio, referência para a safra brasileira, a baixa era de 32,50 pontos para US$ 13,13 por bushel.
A queda não está restrita à soja e se estende por todo o complexo, com o farelo liderando as perdas na CBOT. As perdas no farelo eram de pouco mais de 2,8%, levando o vencimento dezembro a US$ 360,30 por tonelada curta, enquanto o óleo perdia mais de 1,3% para ser cotado a 69,94 cents de dólar por libra-peso. Milho e trigo também operavam no vermelho, reforçando um movimento negativo generalizado entre os grãos, com baixas também na casa dos 2% no fim da manhã desta segunda-feira.
A pressão sobre a oleaginosa ganhou força depois que a China divulgou nesta segunda-feira a relação de produtos agrícolas norte-americanos que terão redução de tarifas. Milho, trigo, sorgo, óleos vegetais e farelos estão contemplados, mas a soja em grão ficou de fora. O produto norte-americano continua sujeito à tarifa adicional chinesa de 10%, além da tarifa normal de 3%. Mais do que uma ruptura nos fundamentos da soja, o movimento desta segunda-feira reflete uma reprecificação das expectativas que haviam sido construídas antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping.
O encontro entre Trump e Xi terminou sem um anúncio formal de novas compras agrícolas chinesas em volume suficiente para alimentar a expectativa que vinha sendo colocada nos preços. Agora, a confirmação de que a soja ficou fora da redução tarifária aumenta a frustração dos participantes. Isso, porém, não significa que a China tenha deixado de comprar soja norte-americana. As estatais Sinograin e COFCO já adquiriram mais de 12 milhões de toneladas, perto da metade das 25 milhões de toneladas anuais que, segundo a Casa Branca, Pequim teria se comprometido a comprar até 2028. A China ainda não confirmou publicamente essa meta, mas tem estado bastante ativa no mercado norte-americano nos últimos meses.
Com a tarifa adicional de 10%, os esmagadores privados chineses continuam encontrando dificuldade para originar soja nos Estados Unidos, preservando competitividade para a soja sul-americana.
Apesar da coincidência entre a queda e a confirmação de que a China manterá a tarifa adicional de 10% sobre a soja norte-americana, Eduardo Vanin, senior agriculture strategist da Marex e analista de mercado da Agrinvest Commodities, chama atenção para o risco de estabelecer uma relação direta entre os dois movimentos. “Essa coisa é baixista para a soja? Não, não diria. Na verdade, não muda nada. China tem que continuar comprando.”
Na avaliação do analista, a permanência da tarifa mantém praticamente inalterada a estrutura que já vinha orientando o comércio mundial da oleaginosa e as estatais chinesas seguem responsáveis pelas compras nos Estados Unidos, enquanto as empresas privadas encontram maior competitividade na América do Sul.
Assim, à primeira vista, sua manutenção parece negativa para Chicago. Vanin, porém, faz a leitura inversa durante sua entrevista ao Bom Dia Agronegócio nesta segunda. Com a tarifa, as esmagadoras privadas chinesas continuam sem margem para buscar grandes volumes nos Estados Unidos. Dessa forma, o cumprimento do compromisso de compras fica concentrado principalmente nas estatais, que não necessariamente tomam suas decisões apenas pela margem comercial.
Segundo o especialista, a China já teria comprado aproximadamente 13,7 milhões de toneladas, restando cerca de 11,3 milhões de toneladas para completar o compromisso de 25 milhões. “Mantendo a tarifa é uma garantia de que o saldo vai ser comprado independentemente de margem”, analisa Vanin.
FARELO AJUDA A ACELERAR PERDAS
Depois de uma sequência de altas sustentada por problemas logísticos e atrasos na colheita americana, o farelo de soja passa por uma fortre realização de lucros. E a liquidação no farelo retira justamente um dos pilares que vinha dando sustentação ao complexo soja nas últimas sessões. Vanin lembra que os fundos chegaram a carregar aproximadamente 200 mil contratos comprados no farelo, posição que ele classifica como possivelmente recorde e que transformou o derivado no ativo mais sobrecomprado do complexo.
O movimento foi alimentado pelas chuvas que atrasaram a colheita no oeste do cinturão produtor norte-americano nos últimos dias. Com menos soja chegando às esmagadoras, os prêmios físicos dispararam em algumas regiões. Vanin cita o exemplo de Iowa, onde crushers chegaram a pagar 40 cents acima de Chicago para entrega imediata, enquanto para entrega apenas um dia depois a indicação já passava a 20 cents negativos.
PRESSÃO DA COLHEITA NOS EUA
Agora, porém, os mapas meteorológicos indicam abertura do tempo e melhores condições para a evolução da colheita. A semana começa com atenção ao novo Crop Progress do USDA, previsto para esta segunda-feira. As condições úmidas atrasaram os trabalhos em algumas áreas do cinturão produtor, mas a evolução da colheita continua adicionando pressão sazonal de oferta sobre Chicago. E assim, os traders esperam também pelas informações sobre a média de produtividade que as principais
Além disso, o mercado se prepara para o relatório trimestral de estoques de grãos do USDA, que será divulgado na quarta-feira e pode trazer novos ajustes para o balanço norte-americano.