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Mercado interno ganha peso no escoamento do milho enquanto Brasil enfrenta maior concorrência nas exportações

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O mercado brasileiro de milho atravessa uma mudança na composição de sua demanda. Enquanto o consumo doméstico ganha força, impulsionado principalmente pela expansão do processamento do cereal, o Brasil encontra um ambiente mais competitivo para escoar sua produção no mercado internacional.

Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que as exportações brasileiras de milho somaram 6,59 milhões de toneladas entre julho e agosto de 2026, volume 28,93% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

No mesmo intervalo, o prêmio médio do milho no porto de Santos recuou 9,66%, em um cenário no qual grandes concorrentes do Brasil ampliam sua presença no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, o próprio Imea destaca que o crescimento da demanda doméstica tem aumentado a disputa pelo cereal dentro do país, reduzindo a disponibilidade para exportação.

Os dois movimentos ajudam a desenhar um cenário diferente para o escoamento da produção brasileira: o mercado externo encontra maior concorrência, enquanto o consumo dentro do país passa a absorver uma parcela crescente da oferta.

Concorrência aumenta no mercado internacional

O avanço dos concorrentes ajuda a explicar parte da menor sustentação encontrada pelo milho brasileiro no exterior.

As exportações dos Estados Unidos são projetadas em 87 milhões de toneladas, crescimento de 21,03%. Para a Argentina, a expectativa é de 45 milhões de toneladas, alta de 30,43%, enquanto a Ucrânia pode alcançar 22,40 milhões de toneladas, avanço de 9,27%.

Segundo o Imea, os Estados Unidos ampliam sua presença especialmente nos mercados das Américas e da Ásia, enquanto a Argentina ganha espaço na África e na Ásia. A Ucrânia mantém maior presença na Europa e na região do Mediterrâneo.

O cenário amplia a disputa enfrentada pelo Brasil justamente durante o período de maior necessidade de escoamento da segunda safra.

A queda das exportações brasileiras, portanto, não pode ser atribuída apenas ao crescimento do consumo interno. O país enfrenta simultaneamente maior competição internacional e menor sustentação dos prêmios de exportação.

Etanol amplia peso da demanda doméstica

Do lado de dentro do país, porém, o milho encontra um mercado consumidor cada vez maior.

Como o Notícias Agrícolas já mostrou, a expansão da indústria de etanol de milho vem alterando o balanço de oferta e demanda do cereal, especialmente em Mato Grosso.

Dados do Imea apontam que o volume de milho destinado ao processamento no estado saltou de 6,85 milhões para 16,85 milhões de toneladas em cinco anos. Para a safra 2026/27, a projeção é de crescimento de 16,23% no consumo interno mato-grossense, enquanto as exportações são estimadas em queda de 27,39%.

O movimento já vinha aparecendo no mercado. Em agosto, o Imea destacou que, mesmo diante de uma safra recorde em Mato Grosso, a crescente demanda das usinas de etanol absorveu uma parcela significativa da produção, tornando o mercado interno mais competitivo em relação ao internacional e reduzindo a pressão provocada pela elevada oferta do cereal.

A expansão deve continuar. A Conab estima que a produção brasileira de etanol de milho alcance 11,91 bilhões de litros na safra 2026/27, crescimento de 17% em relação à temporada anterior.

Além do etanol, a demanda para ração animal também amplia a absorção doméstica. No último levantamento da safra 2025/26, a Conab elevou sua estimativa de consumo interno de milho para 95 milhões de toneladas.

A combinação não significa que as exportações tenham perdido importância para o equilíbrio do milho brasileiro. O tamanho das safras nacionais ainda exige volumes elevados de embarques, e os dados disponíveis não permitem concluir que o crescimento do mercado interno seja capaz de compensar integralmente eventuais perdas maiores de espaço no exterior.

Os números recentes, porém, mostram uma mudança na composição da demanda: enquanto o Brasil enfrenta concorrência maior no mercado internacional, o consumo doméstico amplia sua participação no escoamento da produção.

Para a safra 2026/27, a Conab projeta uma produção brasileira de milho próxima de 148 milhões de toneladas e indica tendência de crescimento da área cultivada. A estatal também aponta que os produtores devem ampliar pelo segundo ano consecutivo a área semeada no primeiro ciclo do cereal.

Com uma oferta novamente elevada, maior concorrência internacional e expansão do processamento doméstico, o equilíbrio do mercado brasileiro de milho passa a depender de uma combinação diferente entre exportações e consumo interno. O avanço das próximas safras deverá mostrar até que ponto essa maior capacidade de absorção dentro do país poderá reduzir a exposição do cereal às oscilações da demanda externa.

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