
O avanço do Brasil no mercado mundial de algodão amplia a discussão sobre a necessidade de uma referência de preços mais alinhada às características da produção nacional. Na última década, a participação brasileira nas exportações globais passou de cerca de 7% para mais de 35%, acompanhada pela expansão da oferta, modernização da cadeia e maior presença da fibra em mercados consumidores.
Durante encontro da ORÍGEO com 200 cotonicultores no Congresso Brasileiro do Algodão, Blake McClendon, líder global de algodão da Bunge, avaliou que o país assumiu papel central no abastecimento internacional. Segundo ele, a fibra brasileira deixou de ser uma origem de nicho e passou a integrar regularmente as compras de indústrias têxteis de países como China, Índia, Vietnã, Turquia, Paquistão e Indonésia.
Apesar desse protagonismo, a formação de preços continua baseada principalmente nos contratos futuros da ICE, ligados ao algodão norte-americano. Para McClendon, diferenças crescentes entre os fundamentos de oferta e demanda de Brasil e Estados Unidos podem ampliar os riscos nas negociações antecipadas.
Como alternativa, o executivo apresentou a possibilidade de criação de uma referência complementar para o algodão brasileiro, com entrega física, armazéns certificados, classificação independente e o Porto de Santos como ponto de entrega.
Para Roberto Marcon, CEO da ORÍGEO, o fortalecimento da atuação da Bunge no algodão amplia as possibilidades de apoio ao produtor na proposta integrada da ORÍGEO. “Com a aquisição da Viterra, a Bunge fincou posição nesse mercado e tem uma ambição bastante grande que é, juntamente conosco, ser líder em algodão no Brasil. Para isso, estamos trazendo uma série de ferramentas, desde financiamento até soluções de comercialização. Do outro lado, olhando para dentro da fazenda, temos a UPL desenvolvendo produtos e inovação para a cultura. Queremos conectar essas diferentes frentes para oferecer ao cotonicultor soluções que acompanham as necessidades do negócio dentro e fora da porteira.”