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Por Florence Tan
CINGAPURA, 5 Out (Reuters) – As exportações de petróleo do Oriente Médio ultrapassaram os níveis pré-guerra em setembro, segundo dados de transporte marítimo divulgados nesta segunda-feira pela Kpler e pela Vortexa, à medida que os produtores do Golfo Pérsico aumentaram o volume de cargas, apesar dos ataques a navios que cruzavam o Estreito de Ormuz.
Os navios mercantes que transitam por esse importante ponto de estrangulamento enfrentam uma ameaça intensificada e “cada vez mais imprevisível”, devido ao recente aumento acentuado no tráfego, afirmou no sábado a Marisks, um serviço de inteligência marítima.
A média móvel de sete dias para as exportações de petróleo da região foi de 18,3 milhões de bpd em 30 de setembro, segundo dados provisórios da Kpler, com as cargas superando os níveis pré-guerra em 14 dias de setembro, incluindo trânsitos pelo Estreito de Ormuz, pelo Mar Vermelho e exportações a partir de terminais.
Antes de setembro, os embarques de petróleo da região igualaram ou superaram os níveis pré-guerra em alguns dias em junho e julho, segundo dados da Kpler, depois que Washington e Teerã chegaram a um memorando de entendimento que, desde então, expirou.
Nos 12 meses anteriores ao início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, as exportações de petróleo da região atingiram uma média de cerca de 18 milhões de bpd, segundo a Kpler.
O aumento nas exportações foi impulsionado pelos embarques da Arábia Saudita tanto pelo Mar Vermelho quanto pelo Golfo, três semanas após um ataque ocorrido em 10 de setembro ao seu oleoduto Leste-Oeste, informou a Kpler.
Além disso, a estatal iraquiana Oil Tanker Company e algumas refinarias fretaram petroleiros para carregar petróleo de Basra dentro do estreito, depois que Bagdá obteve permissão do Irã para que os petroleiros iraquianos passassem pelo Estreito de Ormuz.
A Vortexa informou que a média móvel de 14 dias para as exportações de petróleo e condensado do Oriente Médio atingiu 18,6 milhões de bpd, superando a média sazonal de 10 anos e retornando aos níveis anteriores ao conflito.
“A maior parte desse aumento mês a mês observado em setembro vem da Arábia Saudita, que está aumentando as exportações para recuperar participação de mercado de outros países do Oriente Médio”, disse o analista sênior de mercado Xavier Tang.
“Esse aumento na oferta do Oriente Médio também ajudará a aliviar a escassez no mercado de petróleo, especialmente para as refinarias asiáticas”, disse ele.
As cargas de gás natural liquefeito que saíram do Estreito de Ormuz também aumentaram em setembro, atingindo o maior nível desde fevereiro.
ATAQUES A NAVIOS
No entanto, os ataques a petroleiros continuaram, com pelo menos sete incidentes registrados na semana passada, informou a Marisks.
O superpetroleiro (VLCC) Kazimah III teria sido atingido em 1º de outubro por um projétil desconhecido enquanto navegava pelo estreito, causando um incêndio a bordo, acrescentou a empresa. Sua proprietária, a Kuwait Oil Tanker Company, não respondeu a um pedido de comentário.
Separadamente, o petroleiro Aframax Lipsi, de bandeira liberiana, teria sido atingido por um projétil desconhecido em 4 de outubro enquanto transitava a aproximadamente 3,9 milhas náuticas a nordeste de Jazirat Um Al Fayarin, em Omã, no Estreito de Ormuz, danificando sua sala de máquinas, informou a Marisks na segunda-feira. A Dynacom, sua administradora, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A tripulação a bordo dos dois petroleiros foi declarada em segurança, sem relatos de vítimas, informou a Marisks.
A agência britânica Maritime Trade Operations tem registrado pelo menos um ataque por dia no Estreito de Ormuz ou no Golfo de Áden desde 2 de outubro.
“Informações de inteligência atuais sugerem que o padrão recente de incidentes pode não representar necessariamente um alvo deliberado contra navios mercantes selecionados individualmente”, afirmou a Marisks.
“Em vez disso, as informações disponíveis indicam a possibilidade de que as forças iranianas estejam lançando mísseis em uma área de combate pré-determinada, ou ‘kill box’, com as armas potencialmente adquirindo e travando em sinais de radar detectáveis dentro dessa área.”
Antes do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o estreito costumava receber cerca de 125 grandes navios comerciais por dia, incluindo petroleiros, navios de gás, graneleiros e navios porta-contêineres, representando cerca de 20% do abastecimento global de petróleo bruto e GNL.