O óleo de palma poderá ser negociado com prêmio em relação ao óleo de soja em 2027, em um cenário de menor oferta e aumento da demanda por biodiesel na Indonésia, principal produtora e exportadora global. A avaliação é do presidente da Associação Indonésia de Óleo de Palma, Eddy Martono, em entrevista à Reuters nesta terça-feira (5).
Segundo o executivo, o fenômeno El Niño deve trazer condições mais secas para as áreas produtoras e pressionar a produção de palma no próximo ano. Com a oferta mais limitada, os preços do produto podem superar os do óleo de soja, movimento semelhante ao observado em 2024.
A projeção é de que a produção indonésia de óleo de palma recue 3,7% em 2027, para 56,6 milhões de toneladas, enquanto a demanda doméstica para a produção de biodiesel deve crescer 18,5%, atingindo um recorde de 17,4 milhões de toneladas.
O aumento do consumo interno, combinado à menor produção, deve reduzir ainda mais o volume disponível para o mercado internacional. As exportações da Indonésia são estimadas em 26,5 milhões de toneladas em 2027, queda de 14,9% na comparação anual e o menor nível desde 2016.
O cenário pode alterar a relação de preços entre os principais óleos vegetais negociados no mercado global. O óleo de palma, produzido principalmente na Indonésia e na Malásia, disputa espaço com o óleo de soja produzido na América do Sul e com o óleo de girassol da região do Mar Negro.
Para o mercado brasileiro, a perspectiva é relevante especialmente porque mudanças nos preços internacionais dos óleos vegetais podem influenciar a formação de preços da soja e as margens da indústria de biodiesel.