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Os futuros da soja encerraram esta quarta-feira (7) em baixa na Bolsa de Chicago, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior em um pregão marcado pela forte pressão do óleo de soja, pela valorização do dólar e pela melhora das condições para a retomada da colheita norte-americana. O mercado também começa a ajustar suas posições antes do novo relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será divulgado na próxima sexta-feira.
O novembro/26 terminou cotado a US$ 12,97 por bushel, com queda de 5,50 pontos, enquanto o janeiro/27 ficou em US$ 13,14, perdendo 4,75 pontos. Março/27 encerrou a US$ 13,24, também com baixa de 4,75 pontos, e maio e julho/27 recuaram 4 pontos, para US$ 13,33 e US$ 13,38 por bushel, respectivamente.
Segundo análise da Agrinvest Commodities, a soja passou por uma correção depois da forte alta da sessão anterior, acompanhando principalmente o óleo, que recuou mais de 3% e pressionou todo o complexo. Na direção contrária, o farelo registrou forte valorização e ajudou a limitar as perdas do grão. O movimento aconteceu ainda em meio ao reposicionamento dos investidores antes do boletim, relatório que volta a colocar no radar possíveis ajustes para a safra norte-americana e para os estoques dos Estados Unidos.
O clima também voltou a pesar sobre as cotações. Segundo o analista de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, depois de aproximadamente três semanas com chuvas praticamente diárias em importantes áreas produtoras, o tempo mais aberto começa a permitir novamente a entrada das máquinas e o avanço da colheita. A melhora das condições para os trabalhos de campo devolve pressão à CBOT justamente no momento em que a nova safra chega ao mercado, embora ainda existam atrasos importantes. Em Iowa, por exemplo, segundo maior estado produtor de soja dos EUA, apenas 5% da soja colhida, contra 38% na média dos últimos cinco anos.
Paralelamente, a valorização do dólar completou o quadro de pressão sobre Chicago nesta quarta-feira. A moeda norte-americana mais forte tende a reduzir a competitividade das commodities dos Estados Unidos no mercado internacional, mas, para o produtor brasileiro, o mesmo movimento ajudou a construir uma dinâmica diferente ao longo do dia. A divisa voltou aos R$ 5,00 e se tornou mais um fator de pressão sobre as cotações.
PREÇOS SOBEM NOS PORTOS DO BRASIL
O dólar vai fechando a quarta-feira com alta de quase 1% e volta aos R$ 5,02, ajudando a amortecer a queda de Chicago na formação dos preços domésticos. Ao mesmo tempo, os prêmios voltaram a mostrar firmeza e, segundo Brandalizze, os portos brasileiros apresentaram referências melhores neste meio de semana, trabalhando entre R$ 155 e R$ 160 por saca.
A recuperação ganha importância depois da pressão observada nos últimos dias, quando a queda mais acentuada de Chicago havia comprometido as referências oferecidas ao produtor. Agora, mesmo com a CBOT novamente no vermelho, a combinação de câmbio mais favorável e prêmios firmes permite ao mercado brasileiro se descolar parcialmente do movimento externo, trazendo alguma melhora às oportunidades de comercialização nos portos.
Ao mesmo tempo, o produtor brasileiro segue avançando com a implantação da safra 2026/27. Segundo Brandalizze, Mato Grosso se aproxima de 15% da área semeada, enquanto o Paraná chega a aproximadamente 40%. Assim, enquanto as máquinas retomam a colheita nos Estados Unidos, o plantio ganha ritmo no Brasil e coloca simultaneamente as duas maiores origens mundiais de soja no radar do mercado.