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O Brasil deve produzir menos arroz na safra 2026/27, mesmo com a previsão de aumento da área cultivada. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (15), estima uma colheita de 10,75 milhões de toneladas, redução de 2,9% em relação ao ciclo anterior, enquanto a área plantada deverá crescer 0,8%, alcançando 1,53 milhão de hectares. O contraste é explicado pela expectativa de queda de 3,7% na produtividade média nacional, influenciada principalmente pelas projeções para o arroz irrigado no Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro.
A produção gaúcha está inicialmente estimada em aproximadamente 7,44 milhões de toneladas, o equivalente a 69,2% da oferta nacional prevista. O volume representa uma retração de 4,9% em relação à temporada passada, resultado da combinação entre menor área cultivada e redução da produtividade projetada.
Em números absolutos, o recuo esperado no Rio Grande do Sul chega a aproximadamente 384 mil toneladas, superando a redução líquida de 324 mil toneladas prevista para a produção brasileira. Isso significa que o desempenho gaúcho deverá determinar a direção do resultado nacional, apesar da expectativa de crescimento da oferta em outros estados.
Entre os movimentos de expansão, Mato Grosso aparece como destaque no cultivo de arroz de sequeiro. Embora represente uma parcela pequena da produção brasileira total, o estado concentra o crescimento previsto para a área desse sistema de cultivo, indicando uma mudança na distribuição regional projetada para o novo ciclo.
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Rio Grande do Sul deve produzir menos com redução de área e produtividade
Responsável por cerca de sete em cada dez toneladas de arroz produzidas no Brasil, o Rio Grande do Sul concentra o principal fator de redução da oferta nacional projetada para 2026/27.
Segundo a planilha oficial da Conab, a área de arroz irrigado no estado deverá passar de 905,2 mil para 896,1 mil hectares, redução de 1%. A produtividade média, por sua vez, está estimada em 8.300 kg/ha, diante dos 8.641 kg/ha considerados para a temporada anterior, queda de 3,9%.
Com a combinação desses dois fatores, a produção gaúcha poderá recuar de aproximadamente 7,82 milhões para 7,44 milhões de toneladas.
A Conab aponta que o endividamento rural, os custos de produção e a perspectiva de ocorrência de El Niño estão entre os fatores que influenciam as decisões dos produtores sobre a área destinada ao arroz.
No caso do clima, a estatal considera riscos relacionados à menor luminosidade, à ocorrência de frio durante a floração e à possibilidade de enchentes em áreas próximas a rios e lagos. Esses fatores contribuem para a expectativa inicial de produtividade inferior à da última safra, mas ainda não representam perdas efetivamente registradas nas lavouras de 2026/27.
A recuperação dos preços do arroz aparece como um contraponto positivo. Segundo o levantamento, a reação das cotações praticadas no mercado tem funcionado como o principal incentivo aos orizicultores, embora não elimine as dificuldades relacionadas ao endividamento e ao custeio da atividade.
A semeadura já havia começado no estado no momento do levantamento, alcançando aproximadamente 22% da área estimada. Entretanto, a implantação apresentava diferenças importantes entre as regiões produtoras.
Na Fronteira Oeste, mais da metade da área prevista já estava semeada, enquanto na Região Sul os trabalhos alcançavam cerca de 10%. Nas Planícies Costeiras, Campanha e região Central, o percentual ainda era inferior a 10%.
As chuvas frequentes e as baixas temperaturas vinham dificultando as operações e o estabelecimento inicial das lavouras em determinadas localidades. A Conab alertou para a possibilidade de atraso na conclusão da semeadura dentro da janela considerada ideal, entre outubro e novembro.
Assim, além da decisão dos produtores de reduzir a superfície cultivada, o desenvolvimento das lavouras e as condições climáticas dos próximos meses serão determinantes para confirmar o rendimento projetado pela estatal.
Mato Grosso concentra expansão da área de arroz de sequeiro
Enquanto o Rio Grande do Sul apresenta perspectiva de retração na produção de arroz irrigado, Mato Grosso lidera a expansão prevista para a área de sequeiro em 2026/27.
De acordo com a planilha da Conab, a superfície destinada ao cultivo desse sistema no estado deverá passar de 74,1 mil para 92,7 mil hectares, crescimento de 25,1%, equivalente a 18,6 mil hectares adicionais.
O aumento supera os aproximadamente 18 mil hectares de expansão líquida estimados para toda a área nacional de arroz de sequeiro, indicando que o crescimento mato-grossense compensa parcialmente reduções previstas em outras unidades da federação.
A produção de sequeiro em Mato Grosso poderá alcançar 333,9 mil toneladas, aumento de 22,7% em relação às 272,2 mil toneladas da temporada anterior. O crescimento está associado principalmente à ampliação da área, uma vez que a produtividade projetada recua 1,9%, passando de 3.673 para 3.602 kg/ha.
Apesar desse avanço, a participação de Mato Grosso na produção brasileira total permanece limitada, em torno de 3,1%. Sua relevância é maior dentro do próprio sistema de sequeiro, no qual deverá responder por aproximadamente 47,7% da oferta nacional.
Os números mostram, portanto, dois movimentos de dimensões diferentes. A redução projetada no Rio Grande do Sul tem impacto direto sobre a produção brasileira, enquanto a expansão mato-grossense revela uma concentração regional do crescimento do cultivo de sequeiro.
Não se trata, necessariamente, de substituição entre os dois sistemas de produção. As projeções apontam alterações nas áreas destinadas ao arroz em diferentes estados, sem demonstrar uma migração direta do cultivo irrigado para o sequeiro.
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Produção menor deve pressionar disponibilidade e reduzir estoques
A perspectiva de redução da produção brasileira também aparece nas estimativas da Conab para o balanço nacional de oferta e demanda do arroz em 2026/27.
Com uma colheita projetada em 10,75 milhões de toneladas, abaixo das 11,08 milhões de toneladas estimadas para a temporada anterior, a estatal prevê uma diminuição da disponibilidade doméstica do cereal.
As exportações deverão passar de 1,95 milhão para 1,66 milhão de toneladas, queda de 14,8%, equivalente a aproximadamente 290 mil toneladas. As importações, por outro lado, estão inicialmente projetadas em 1,3 milhão de toneladas, mesmo volume considerado para 2025/26.
O consumo interno também deverá permanecer estável, estimado em 10,8 milhões de toneladas.
Nesse cenário, o suprimento total brasileiro, que considera os estoques iniciais, a produção e as importações, deverá recuar de aproximadamente 14,56 milhões para 13,86 milhões de toneladas, redução de 4,8%.
Mesmo com a expectativa de menores embarques ao exterior, os estoques finais também deverão diminuir. A Conab projeta que o Brasil encerre fevereiro de 2028 com aproximadamente 1,40 milhão de toneladas de arroz armazenadas, diante de 1,81 milhão de toneladas estimadas para fevereiro de 2027.
A redução prevista nos estoques de passagem indica que o ajuste projetado nas exportações não será suficiente para manter a disponibilidade final no mesmo patamar da temporada anterior.
As estimativas ainda representam um cenário inicial de oferta e demanda, sujeito a alterações conforme a confirmação das áreas cultivadas, o desenvolvimento das lavouras, os resultados da colheita e o comportamento do mercado.
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Custos, preços e clima ainda podem alterar cenário
As projeções para o arroz brasileiro são divulgadas em um momento no qual os produtores avaliam os custos da nova temporada, as condições de financiamento e a recuperação recente dos preços do cereal.
No Rio Grande do Sul, o principal estado produtor, esses fatores se somam às incertezas climáticas para influenciar tanto a área efetivamente implantada quanto as perspectivas de produtividade.
A Conab ressalta que o primeiro levantamento de safra utiliza modelos estatísticos e climáticos, sensoriamento remoto, análises de mercado e informações de campo. Dessa forma, os números serão revisados à medida que novas informações sobre o andamento do plantio e as condições das lavouras forem incorporadas.
Para 2026/27, a principal indicação inicial é de que a retração esperada no Rio Grande do Sul deverá pesar mais sobre o resultado nacional do que os aumentos de produção projetados em outras regiões.
Mato Grosso, por sua vez, aparece como um destaque na redistribuição prevista da área de arroz de sequeiro, mas ainda com participação limitada na oferta total brasileira.
O resultado dessa combinação é uma safra nacional inicialmente estimada em menor volume, acompanhada de projeções de redução das exportações e dos estoques finais, mesmo diante da expectativa de manutenção do consumo interno.