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Arroz gaúcho volta a atrair compradores para exportação

A entrada de três tradings no mercado de arroz do Rio Grande do Sul marcou a retomada das negociações destinadas à exportação, com operações realizadas ao preço médio de R$ 90 por saca. O movimento ocorre após um período de retração comercial associado às oscilações cambiais, enquanto os produtores gaúchos enfrentam dificuldades para avançar com a semeadura da nova safra.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, avalia que o retorno dos compradores internacionais pode contribuir para dar sustentação às cotações. Segundo ele, a variação do dólar havia levado os agentes comerciais a reduzir o ritmo das aquisições.

“O mercado deu uma parada, até porque, com a mudança do dólar, os players deram uma segurada nas negociações. Mas, a partir de ontem, entraram três tradings comprando arroz para exportação, em média a R$ 90, e isso deve segurar o mercado”, afirma.

A reação comercial contrasta com as condições observadas nas lavouras. Apesar de o Rio Grande do Sul apresentar uma área semeada superior à registrada no mesmo período da safra anterior, o avanço está concentrado em determinadas regiões, o que esconde diferenças no andamento dos trabalhos de campo.

A Fronteira Oeste, pela dimensão de sua área cultivada, tem influência significativa sobre o resultado estadual. Em outras regiões produtoras, entretanto, a frequência das chuvas tem dificultado a realização das operações agrícolas.

Os atrasos são mais expressivos no Litoral Norte, na Planície Costeira Interna e em áreas da Zona Sul, incluindo Arroio Grande, Pelotas e Rio Grande. A situação evidencia um desenvolvimento desigual da safra, mesmo com indicadores estaduais superiores aos do ciclo anterior.

O problema não se limita ao calendário de semeadura. Na Fronteira Oeste e em Santa Vitória do Palmar, as temperaturas mais baixas também têm comprometido a emergência das plantas. Conforme a Federarroz, os efeitos são observados inclusive em lavouras implantadas mais cedo.

Outro ponto de preocupação é o financiamento da atividade. A entidade relata dificuldades no acesso ao crédito para a próxima safra, com negociações bancárias que ainda não avançaram no ritmo necessário para atender às demandas dos arrozeiros.

A recomendação da federação é que produtores com dificuldades de financiamento procurem suas entidades representativas para buscar orientação e apoio nas tratativas.

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