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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 21 Out (Reuters) – A exportação de milho do Brasil para países da Europa deverá saltar para 1,65 milhão de toneladas, ante cerca de 200 mil no mesmo período do ano passado, à medida que o cereal brasileiro ganha espaço com a queda nos embarques da Ucrânia, enquanto europeus lidam com uma quebra de safra, afirmou nesta quarta-feira a corretora Stag International em relatório.
Com esses volumes, disse a Stag, o Brasil “efetivamente” substitui o milho da Ucrânia. O país do leste europeu está exportando menos para os seus vizinhos após infraestruturas de exportação, como portos, terem sido atingidas por ataques russos.
Além disso, a seca reduziu a produção de milho da União Europeia de 2026 para o menor patamar neste século, a cerca de 48 milhões de toneladas, informou a Comissão Europeia ao final do mês passado.
Neste contexto, as importações de milho pela UE dispararam 40% no acumulado da safra 2026/27 até meados de outubro, com os Estados Unidos dominantes entre as origens do produto, seguidos pelo Brasil, segundo dados da comissão divulgados na véspera.
Mas a Stag vê agora os EUA menos competitivos que a oferta sul-americana, que inclui embarques da Argentina.
“Os prêmios FOB atuais sugerem que a América do Sul manterá sua vantagem competitiva ao longo de dezembro e janeiro, podendo, inclusive, estender-se até fevereiro”, disse o relatório.
Brasil e Argentina colheram safras recorde de milho em 2026. No caso do Brasil, a exportação tem sido menor do que no passado de forma geral, já que a demanda interna para a produção de etanol de grãos está forte.
Segundo a Stag, a menos que as vendas para exportação dos EUA apresentem uma aceleração significativa, os preços do milho na bolsa de Chicago poderão ter de recuar ainda mais para restaurar a competitividade dos EUA e defender sua participação no mercado.
Dados de line-up de navios para outubro nos portos brasileiros, divulgados pela agência marítima Cargonave, indicam que as exportações de milho do Brasil para países da Europa poderão superar 1 milhão de toneladas em outubro, com a Espanha sendo um dos principais destinos.
Na véspera, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou a sua previsão de exportação de milho do Brasil em outubro para um total de quase 7 milhões de toneladas, aumento de mais de 1 milhão de toneladas na comparação com o mesmo mês do ano passado. Mas a Anec não detalhou os destinos.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)