O lado baixista retornou com força na semana passada ao mercado de açúcar, fazendo com que os preços recuassem para 18,96 c/lb depois de atingirem brevemente 20 c/lb na semana anterior, marcando uma queda de quase 4% no período. Essa tendência foi influenciada pelas chuvas no Centro-Sul do Brasil, aliviando as preocupações com um fevereiro e início de março secos, e pela forte moagem de cana, conforme relatado pela UNICA e avaliados pela Hedgepoint Global Markets.
O relatório da instituição trouxe à tona que a moagem de cana-de-açúcar foi forte na primeira quinzena de março, levando a um resultado mais robusto em 24/25 e sugerindo que pode até ser possível ultrapassar 620 Mt de cana, especialmente com algumas usinas começando mais cedo do que as expectativas do mercado. Com um total de 37 usinas em operação no Centro-Sul e outras 19 que devem iniciar sua temporada 25/26 no final deste mês, as preocupações com um início ruim foram reduzidas.
“Continuamos bastante otimistas em relação ao volume de cana para a próxima temporada, de 630 Mt. Entretanto, a seca de fevereiro não deve ser ignorada, e o monitoramento da precipitação de abril é essencial para determinar se serão necessárias revisões”, diz Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
“Com as previsões climáticas favoráveis e a expectativa de uma safra saudável no Brasil, continuamos otimistas em relação a 25/26. Embora a volatilidade possa surgir dos acontecimentos em outros países produtores, um resultado saudável do Centro-Sul poderia suavizar alguns desses impactos.”, completa a especialista.
Clima no Brasil
Em relação à previsão do clima, o Inmet mostra expectativas médias para os próximos meses até julho. Conforme discutido em relatórios anteriores, isso significa que se espera que o Brasil tenha outro ano saudável e ajude o mercado em termos de fornecimento de açúcar.
“Isso não significa que notícias e rumores de outros países não causariam impacto no mercado – por exemplo, a discussão sobre uma possível proibição de exportação da Índia. No entanto, dependendo da previsão de produção da região Centro-Sul, os ganhos e perdas nos preços do açúcar bruto resultantes de notícias relacionadas a outros países produtores poderiam ser mitigados”, destaca a coordenadora.