
Os cupins no arroz podem provocar falhas de estande e comprometer a produtividade, principalmente em áreas de sequeiro, bordaduras secas e locais com maior variação de umidade. O monitoramento entre setembro e março ajuda o produtor a identificar quando a presença da praga representa apenas um problema pontual ou quando o dano já justifica uma intervenção.
Os cupins-do-monte, também chamados de cupins-de-monteira, são comuns em áreas de pastagem e lavouras de grãos. Na rizicultura, ganham importância em áreas de arroz de sequeiro, talhões com falhas de irrigação e manchas de solo mais arenoso ou compactado.
Nesse período, o produtor pode encontrar muitos cupinzeiros antigos, originados de áreas anteriormente utilizadas para pastagem, pousio ou lavouras perenes. Também podem aparecer falhas concentradas sobre ou próximas aos montes de cupins.
A presença de cupinzeiros, porém, não significa necessariamente perda econômica. O ponto principal é identificar se os insetos estão efetivamente reduzindo o estande ou atacando plantas jovens a ponto de comprometer o potencial produtivo da lavoura.
O Procornitermes triacifer constrói montes de solo endurecido na superfície, que podem ter de poucos centímetros a mais de 40 centímetros de altura, dependendo da idade da colônia e do histórico de manejo.
As colônias tendem a se instalar em solos bem drenados e com períodos de menor umidade superficial. Por isso, a incidência pode ser maior em bordaduras, partes mais altas das quadras de arroz e áreas com menor eficiência de irrigação.
O dano ocorre principalmente de duas formas. Os cupins podem consumir sementes recém-semeadas e atacar a parte subterrânea das plântulas, especialmente entre a germinação e o início do perfilhamento.
Esse ataque pode impedir a emergência ou provocar o tombamento e a morte de plantas ainda pequenas.
O próprio cupinzeiro também interfere na implantação da lavoura. O monte funciona como uma área de solo endurecido, dificultando a uniformidade da semeadura e podendo prejudicar a irrigação e as operações mecanizadas.
Na prática, grande parte do prejuízo econômico está relacionada à redução do estande inicial em manchas. As plantas remanescentes nem sempre conseguem compensar completamente a ausência das vizinhas, principalmente em cultivares com menor capacidade de perfilhamento ou em lavouras muito adensadas.
Para decidir pelo controle, o principal conceito é o nível de dano econômico (NDE). Ele representa a intensidade de dano ou a densidade da praga a partir da qual o prejuízo financeiro esperado supera o custo do controle.
No caso dos cupins no arroz, não existe um valor único e universal de NDE. A decisão depende do sistema de cultivo, da capacidade de compensação da cultivar, dos custos dos insumos, do valor do arroz e do nível de tecnificação da propriedade.
Também devem ser considerados fatores como a possibilidade de replantio, a precisão da semeadura e a eficiência da irrigação.
De forma geral, o problema passa a ter maior importância econômica quando a combinação entre a densidade de cupinzeiros e as falhas de estande supera a capacidade de compensação das plantas remanescentes.
Para fazer essa avaliação, o produtor pode dividir a lavoura em áreas homogêneas, considerando características como tipo de solo, histórico da área e manejo da irrigação.
Em cada área, devem ser estabelecidos de 10 a 20 pontos de amostragem, distribuídos ao acaso ou em zigue-zague. Um quadrado ou retângulo padrão, como uma área de 1 metro quadrado, pode ser utilizado para as avaliações.
Em cada ponto, é necessário contar as plantas de arroz, verificar a presença de cupinzeiros dentro da área avaliada ou imediatamente ao lado das linhas e identificar falhas de estande relacionadas aos cupins.
Também é importante procurar evidências do ataque, como sementes ou plântulas danificadas, galerias e solo remexido próximo às sementes.
O estande observado deve ser comparado com a população planejada no projeto de semeadura e com a germinação do lote utilizado. A partir dessa comparação, é possível estimar o desvio em relação ao estande esperado.
Reduções inferiores a 10% de falha de estande na média da área tendem a apresentar maior possibilidade de compensação pelo perfilhamento, principalmente em cultivares adaptadas ao sistema irrigado.
Quando as falhas ficam entre 10% e 20% e estão concentradas em manchas localizadas, podem ser consideradas ações pontuais, como a destruição manual de montes em bordaduras ou pequenos blocos, antes de qualquer medida mais ampla.
Já reduções superiores a 20% ou 25% de falha de estande, quando claramente associadas aos cupins e distribuídas por faixas extensas, indicam maior risco de perda de rendimento e podem justificar uma intervenção.
Em situações extremas, o replantio também pode ser considerado.
O estágio da cultura é outro fator decisivo. O período entre a pré-emergência e duas ou três folhas é o mais sensível, porque danos que provoquem falhas significativas nessa fase têm menor possibilidade de compensação.
No início ou durante o pleno perfilhamento, se o estande inicial estiver adequado, ataques moderados tendem a apresentar menor potencial de provocar grandes perdas, já que as plantas remanescentes ainda podem aumentar o número de perfilhos produtivos.
Após o alongamento, o risco de dano econômico sobre novas plantas diminui consideravelmente porque o arroz já está estabelecido. Ainda assim, montes grandes podem dificultar as operações e a colheita mecanizada.
Mesmo diante de um diagnóstico de dano expressivo, o custo do controle precisa ser comparado com a perda estimada de produtividade.
A avaliação deve considerar o preço do produto, a aplicação, o tempo de máquina, possíveis efeitos sobre a microbiota e os inimigos naturais e outras consequências para o sistema produtivo.
Em muitos casos, medidas mecânicas podem reduzir o problema sem a necessidade de aplicações químicas específicas. Entre as alternativas estão o nivelamento ou a destruição mecânica de montes mais altos durante o preparo da área e correções pontuais nas bordaduras com maior concentração de cupinzeiros.
Qualquer aplicação química deve obedecer às recomendações de registro para a cultura e a praga, além das orientações de rótulo, bula e receituário agronômico.
O manejo preventivo também começa no preparo da área. Operações de nivelamento e gradagem, quando utilizadas de forma adequada, podem destruir mecanicamente montes grandes e expor as colônias à luz e à desidratação.
Essas operações também podem reduzir o número de ninhos ativos na camada superficial, principalmente em áreas recém-convertidas de pastagem.
O cuidado, porém, é evitar mobilização excessiva do solo em ambientes nos quais a conservação da estrutura e o controle da erosão são prioridades.
Em sistemas de plantio mínimo ou direto, a destruição dos montes pode ser feita de forma localizada, priorizando as linhas de plantio e as bordaduras.
A qualidade da semeadura também interfere na capacidade da lavoura de suportar ataques pontuais. Sementes com alta germinação e vigor, profundidade uniforme, boa cobertura do solo e umidade adequada favorecem um estande inicial mais vigoroso.
Plântulas mais robustas tendem a apresentar maior capacidade de superar danos pontuais às raízes e ao colo.
No arroz irrigado, o manejo da água também faz parte da estratégia. A manutenção da lâmina d’água na fase adequada pode reduzir a atividade dos cupins em áreas que permanecem saturadas, já que os insetos encontram condições mais favoráveis em solos menos saturados.
Em áreas de sequeiro ou em partes da lavoura que recebem menos água, como pontos altos do relevo e locais com falhas de nivelamento, as condições podem favorecer a atividade dos cupins.
Por isso, o nivelamento correto, o manejo adequado das taipas e das entradas de água e a atenção às bordaduras secas são importantes para reduzir o risco.
O monitoramento deve continuar durante o ciclo. As inspeções são especialmente importantes antes do preparo da área, logo após a emergência e no início do perfilhamento.
Esse acompanhamento permite identificar locais com maior concentração de cupinzeiros, acompanhar a evolução do problema e ajustar as estratégias para as safras seguintes.
Nem todo cupinzeiro exige controle. Montes isolados e antigos, sem falhas de estande ou sinais recentes de ataque às plântulas, podem ser monitorados sem intervenção imediata.
A mesma lógica vale para áreas em que o arroz já atingiu pleno perfilhamento, apresenta estande adequado e possui poucos danos associados aos cupins.
Talhões com perda total de estande inferior a 10%, distribuída aleatoriamente e sem associação clara com a presença da praga, também tendem a apresentar menor necessidade de controle.
Outro fator é o custo da intervenção. Se o controle químico ou mecânico for mais caro do que a perda de produtividade esperada, a intervenção pode não ser economicamente justificável.
Nessas situações, a estratégia pode ser concentrada em medidas preventivas de médio prazo, como manejo do solo, rotação de culturas e ajustes na irrigação.
Entre setembro e março, quando se concentram o preparo da área, a semeadura, a emergência, o perfilhamento e grande parte do desenvolvimento vegetativo do arroz, o monitoramento permite antecipar problemas.
A decisão de controlar os cupins deve considerar não apenas a quantidade de insetos ou de cupinzeiros, mas principalmente o impacto sobre o estande e o potencial produtivo.
Antes de optar pelo controle de Procornitermes triacifer, o produtor deve verificar se as falhas superam 20% ou 25% e estão claramente associadas aos cupins, se o dano ocorreu durante a fase crítica de estabelecimento da cultura e se a cultivar possui baixa capacidade de compensação.
Também é necessário avaliar se existem manchas extensas afetadas, comparar o custo do controle com a perda esperada e considerar alternativas mecânicas e de manejo da irrigação.
Se a maior parte desses fatores estiver presente, aumenta a probabilidade de que o dano seja econômico e de que uma intervenção seja necessária. Caso contrário, a prevenção e os ajustes de manejo podem ser mais adequados.
Qualquer estratégia de controle químico deve seguir as recomendações oficiais de registro para a cultura e a praga-alvo, as orientações de rótulo e bula e o receituário agronômico emitido por profissional habilitado.