Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (22) em baixa nas principais bolsas internacionais, pressionados pelo forte desempenho das exportações da Tailândia, segundo maior exportador mundial da commodity.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou com queda de 20 pontos, negociado a 14,70 cents por libra-peso, recuo de 1,34%.
Na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrou baixa de 260 pontos, encerrando o pregão cotado a US$ 442,40 por tonelada.
Exportações da Tailândia pressionam mercado
O mercado repercutiu os dados de exportação da Tailândia, que indicaram avanço significativo nos embarques da commodity em 2026.
Segundo dados do setor, as exportações tailandesas de açúcar entre janeiro e abril somaram 1,6 milhão de toneladas, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O aumento da oferta disponível no mercado internacional reforçou a pressão sobre as cotações, que já vinham reagindo às projeções de superávit global divulgadas nesta semana.
Na segunda-feira, os preços chegaram às mínimas de duas semanas após a Organização Internacional do Açúcar (OIA) elevar sua estimativa de excedente global para a safra 2025/26.
A entidade projeta produção recorde de 182 milhões de toneladas, alta de 3,5% em relação ao ciclo anterior. A previsão de superávit global foi revisada para 2,2 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior de 1,22 milhão de toneladas, revertendo o déficit de 3,46 milhões registrado em 2024/25.
El Niño limita perdas
Apesar da pressão baixista provocada pela oferta elevada, o mercado continua monitorando os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que podem limitar uma queda mais acentuada das cotações.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 82% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho, com persistência até o fim do ano. Há ainda 67% de chance de ocorrência de um “Super El Niño”.
O temor do mercado é que a seca associada ao fenômeno reduza a produtividade em importantes produtores globais, como Brasil, Índia e Tailândia.
A própria (OIA) estima que a produção mundial de açúcar deverá recuar 1,15% na safra 2026/27, para 180 milhões de toneladas, com possibilidade de déficit global de aproximadamente 262 mil toneladas diante dos impactos climáticos sobre as lavouras asiáticas.