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Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão desta sexta-feira (10) em forte alta na Bolsa de Chicago (CBOT). O mercado encontrou sustentação na divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Wasde, e ganhou ainda mais força diante de rumores de que a Rússia poderá adotar medidas para restringir o ritmo de suas exportações, fator que elevou a percepção de risco sobre a oferta global do cereal.
O contrato julho/26 fechou cotado a US$ 6,32 por bushel, com alta de 20,50 pontos. O setembro/26 encerrou a US$ 6,40 por bushel, avançando 20,25 pontos, enquanto o dezembro/26 terminou o dia a US$ 6,54 por bushel, com ganho de 20,25 pontos.
No relatório do USDA divulgada nesta sexta-feira, reduziu a estimativa para a produção norte-americana de trigo da safra 2026/27 para 1,536 bilhão de bushels, abaixo dos 1,543 bilhão projetados em junho. O volume, no entanto, ficou ligeiramente acima da expectativa média dos analistas, que esperavam uma produção de 1,525 bilhão de bushels. Caso a projeção seja confirmada, os Estados Unidos caminham para registrar a menor safra de trigo desde 1970, reflexo da menor área colhida do cereal desde 1877.
O departamento também revisou para baixo os estoques finais norte-americanos, reforçando a perspectiva de uma oferta mais apertada ao longo da temporada. Apesar de o Wasde não ter trazido grandes surpresas para o balanço mundial, o relatório manteve o mercado atento ao cenário de oferta entre os principais exportadores.
Os ganhos se intensificaram ao longo do pregão com informações de mercado indicando que a Rússia poderá discutir medidas para limitar o fluxo de exportações. Como o país é o maior exportador mundial de trigo, qualquer possibilidade de restrição aumenta a preocupação dos investidores com a disponibilidade do cereal no mercado internacional e tende a oferecer suporte às cotações.
Enquanto isso, no Mercosul, o mercado continua acompanhando o desenvolvimento da safra argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil, e o avanço do plantio nas regiões produtoras brasileiras. No Sul do país, as geadas registradas nas últimas semanas seguem sendo monitoradas pelos agentes, que avaliam possíveis impactos sobre o potencial produtivo das lavouras e seus reflexos na oferta do cereal ao longo da temporada.