![]()
Os preços futuros do trigo iniciaram novembro com pequenas valorizações na Bolsa de Chicago (CBOT), recuperando parte das perdas acumuladas durante os últimos pregões de outubro. Nesta segunda-feira (2), os principais contratos encerraram as negociações em território positivo, com o vencimento dezembro/26 voltando a trabalhar acima dos US$ 6,00 por bushel, embora o mercado continue enfrentando pressões relacionadas à competitividade das exportações norte-americanas e às perspectivas de oferta internacional.
Na última cotação disponível da sessão, o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 6,0650 por bushel, com valorização de 0,50%, equivalente a 3,00 cents. O março/27 avançava 2,50 cents, cotado a US$ 6,1950, enquanto o maio/27 apresentava ganho de 1,50 cent, para US$ 6,2525. O julho/27 subia 1,25 cent, negociado a US$ 6,3100 por bushel.
A recuperação ocorre depois de uma sequência de perdas que levou o dezembro/26 a encerrar a quarta-feira (28) a US$ 5,9900 por bushel, abaixo dos US$ 6,00 pela primeira vez desde julho. Naquela sessão, o contrato havia recuado 1,84%, pressionado pelas perspectivas de maior oferta em importantes origens exportadoras e pelas dificuldades de recuperação da demanda norte-americana.
Nesta segunda-feira, o dezembro chegou a alcançar máxima de US$ 6,0950 por bushel, mas devolveu parte da valorização ao longo do pregão. O movimento mostra uma tentativa de recuperação, ainda insuficiente para caracterizar uma mudança consistente na trajetória recente dos preços.
Exportações americanas continuam enfrentando dificuldades
O desempenho das exportações permanece entre os principais fatores acompanhados pelo mercado internacional de trigo.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as inspeções de trigo para exportação somaram 183.824 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, abaixo das 254.915 toneladas registradas na semana anterior.
No acumulado do ano comercial 2026/27 até aquela data, as inspeções alcançavam aproximadamente 7,42 milhões de toneladas, volume 33,80% inferior ao contabilizado no mesmo período da temporada passada.
A desaceleração das exportações também levou o USDA a reduzir, em outubro, sua projeção para os embarques americanos de trigo na temporada 2026/27, de acordo com o relatório de perspectivas do Departamento de Pesquisa Econômica da instituição (ERS).
A estimativa foi reduzida em 25 milhões de bushels, para 750 milhões de bushels, o que representaria o segundo menor volume exportado pelos Estados Unidos desde a temporada 1971/72.
As dificuldades são particularmente relevantes para o trigo vermelho duro de inverno, conhecido como Hard Red Winter (HRW), enquanto outras classes apresentam condições comerciais distintas.
Argentina, Austrália e Rússia ampliam concorrência internacional
Além do desempenho das exportações americanas, o mercado acompanha as expectativas de produção de trigo em importantes países fornecedores.
Na Argentina, o escritório do adido agrícola dos Estados Unidos em Buenos Aires projetou produção de 23 milhões de toneladas para a temporada 2026/27, acima dos 21,5 milhões considerados no balanço oficial do USDA. A estimativa de exportações do adido alcança 17 milhões de toneladas, também superior à projeção oficial americana.
Na Austrália, as avaliações sobre a produção continuam influenciando as expectativas de oferta para os próximos meses. Apesar de diferenças regionais nas condições climáticas, o país permanece entre os principais concorrentes dos Estados Unidos nos mercados importadores da Ásia.
A Rússia e os demais fornecedores da região do Mar Negro também seguem como referências importantes na formação dos preços internacionais. Além da disponibilidade de produto, os operadores acompanham os desdobramentos das negociações diplomáticas envolvendo o conflito entre Rússia e Ucrânia e seus possíveis efeitos sobre os custos logísticos e os fluxos comerciais.
A combinação entre as perspectivas de oferta e a disputa pelos principais compradores internacionais continua limitando o espaço para uma recuperação mais consistente das cotações americanas.
Plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos segue no radar
No campo, os produtores norte-americanos continuam avançando com a implantação da safra de trigo de inverno.
Segundo o último relatório de progresso das lavouras do USDA, referente à semana encerrada em 25 de outubro, a semeadura havia alcançado 76% da área prevista, um ponto percentual abaixo da média dos últimos cinco anos.
A emergência das plantas atingiu 53%, também ligeiramente inferior à referência histórica para o período.
Nesta segunda-feira, o mercado aguarda a divulgação de novos dados do Crop Progress, prevista para as 18h (horário de Brasília), que deverão atualizar o ritmo de plantio e as condições de desenvolvimento das lavouras.
Para os produtores brasileiros, a recuperação das cotações internacionais representa uma mudança pontual nas referências de preços, mas o mercado doméstico continua apresentando condições próprias de oferta e demanda.
A qualidade do trigo colhido em diferentes regiões brasileiras, as necessidades de importação da indústria moageira e a competitividade do cereal argentino permanecem entre os elementos determinantes para a formação das cotações nacionais.
Com isso, o trigo começa novembro recuperando parte das perdas recentes em Chicago, mas ainda condicionado à evolução da demanda externa, às perspectivas de oferta global e ao desenvolvimento da nova safra norte-americana.