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O Brasil poderá colher a terceira safra recorde consecutiva de soja em 2026/27 e, ainda assim, encerrar o ciclo com uma disponibilidade menor do grão em seus estoques. É o que aponta o escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília, que projeta uma produção de 184 milhões de toneladas e estoques finais de apenas 3,96 milhões de toneladas, redução de aproximadamente 35% em relação à temporada anterior.
As estimativas constam do relatório Oilseeds and Products Update, divulgado nesta semana. O documento apresenta as avaliações da representação agrícola norte-americana no Brasil, que podem diferir dos números oficiais publicados pelo USDA em seus relatórios mensais de oferta e demanda.
No balanço do adido, os estoques finais de soja recuariam de 6,06 milhões de toneladas em 2025/26 para 3,96 milhões em 2026/27. A queda ocorreria mesmo com a produção avançando quase 2%, diante da expectativa de exportações recordes e de maior utilização do grão pela indústria brasileira.
A projeção contrasta com o balanço oficial do USDA, que estima uma produção brasileira de 186 milhões de toneladas e estoques finais de 6,56 milhões de toneladas na mesma temporada. A diferença entre as estimativas de estoque é de 2,6 milhões de toneladas, refletindo principalmente premissas distintas para a produção e os volumes disponíveis no início do ciclo.
Exportações e esmagamento avançam com a produção
Segundo o escritório do USDA em Brasília, as exportações brasileiras de soja em grão deverão alcançar 117,5 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 2,2% em relação aos 115 milhões estimados para a temporada anterior.
O processamento doméstico também deverá estabelecer um novo recorde. O adido projeta esmagamento de 65 milhões de toneladas, aumento de aproximadamente 2,4% sobre os 63,5 milhões de toneladas previstos para 2025/26. Com isso, o consumo doméstico total do grão, que inclui o processamento industrial e outras utilizações, deverá passar de 67,8 milhões para 69,6 milhões de toneladas.
O crescimento simultâneo das exportações e do consumo interno ajuda a explicar por que a ampliação da produção não necessariamente resultará em maiores estoques ao final da temporada. No balanço do adido, a oferta total também considera os estoques iniciais e as importações, alcançando 191,06 milhões de toneladas.
Na sexta-feira (23), o Notícias Agrícolas mostrou que a maior demanda por óleo de soja, especialmente para a produção de biodiesel, poderá ampliar a importância da indústria como compradora do grão brasileiro em 2027. O novo levantamento reforça a perspectiva de crescimento do processamento, mas acrescenta a avaliação sobre o equilíbrio entre oferta, demanda e estoques da oleaginosa.
Adido projeta estoques menores que o USDA
Embora as duas avaliações apontem crescimento da produção e da demanda, os balanços apresentam diferenças importantes. A projeção oficial do USDA considera uma safra brasileira de 186 milhões de toneladas, enquanto o escritório em Brasília trabalha com 184 milhões. Além disso, o adido estima estoques iniciais de 6,06 milhões de toneladas, abaixo dos 7,06 milhões considerados no relatório oficial.
As projeções de esmagamento são iguais, de 65 milhões de toneladas. Já as exportações aparecem em 117,5 milhões de toneladas no levantamento de Brasília, contra 118 milhões na estimativa oficial. O consumo doméstico total também apresenta uma pequena diferença, de 69,6 milhões de toneladas para o adido e 69,5 milhões no balanço oficial.
Essas diferenças resultam em estoques finais de 3,96 milhões de toneladas no balanço do adido e de 6,56 milhões no USDA oficial. Portanto, a divergência não significa que uma das avaliações esteja antecipando uma quebra de safra, mas que utilizam premissas distintas para dimensionar a oferta e sua utilização ao longo da temporada.
Expansão da área perde velocidade e clima segue no radar
Para alcançar as 184 milhões de toneladas, o adido projeta uma área de soja de 49,7 milhões de hectares, crescimento de 1,4% sobre os 49 milhões estimados para 2025/26. O percentual está abaixo da expansão média anual de 4,2% observada nos cinco anos anteriores.
O relatório atribui a desaceleração principalmente aos juros elevados, aos custos de produção e às incertezas climáticas, fatores que tornam os agricultores mais cautelosos na ampliação das áreas cultivadas. A maior parte do crescimento esperado deverá ocorrer no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A produtividade média nacional é estimada em 3,70 toneladas por hectare. O escritório considera que condições de umidade mais favoráveis em determinadas regiões poderão compensar eventuais perdas em outros estados, incluindo Mato Grosso.
Apesar do avanço do plantio em importantes regiões produtoras, as chuvas persistentes no Rio Grande do Sul e a possibilidade de eventos meteorológicos intensos continuam no radar. O documento avalia que a irregularidade climática poderá representar um risco maior durante a colheita, no início de 2027, do que necessariamente na implantação das lavouras.
Para os produtores, a evolução das condições climáticas e a confirmação do tamanho da safra serão fundamentais para determinar se os estoques brasileiros efetivamente alcançarão os níveis projetados. Ao mesmo tempo, a expansão das exportações e da demanda industrial deverá manter o acompanhamento do balanço de oferta e consumo entre os principais fatores de atenção para o mercado de soja em 2027.