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Após dois dias de perdas, soja tenta recuperação em Chicago nesta quarta-feira com compras técnicas

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Os preços futuros da soja iniciaram a quarta-feira (28) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), tentando recuperar parte das perdas acumuladas nos dois primeiros pregões da semana. O movimento ocorre em meio a ajustes técnicos de posições após as desvalorizações recentes, enquanto os operadores continuam acompanhando os reflexos do câmbio brasileiro sobre a competitividade internacional e as perspectivas de demanda pelo grão norte-americano.

Por volta das 9h29 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,3250 por bushel, com valorização de 3,25 cents, equivalente a aproximadamente 0,26%. O janeiro/27 avançava 2,75 cents, para US$ 12,4575, enquanto o março/27 subia 1,75 cent, cotado a US$ 12,5350. O maio/27 também ganhava 1,75 cent, para US$ 12,6225, e o julho/27 registrava alta de 1,50 cent, negociado a US$ 12,6875 por bushel.

A tentativa de recuperação acontece depois de uma terça-feira negativa, quando o contrato novembro/26 perdeu 0,97% e encerrou a US$ 12,2925 por bushel. Na segunda-feira, o mesmo vencimento já havia recuado 1,21%, pressionado pela forte desvalorização do real após as eleições presidenciais brasileiras.

Com as perdas dos dois pregões, o contrato novembro acumulou desvalorização de aproximadamente 2,17% em relação ao fechamento da sexta-feira (23). A valorização desta manhã, portanto, representa uma recuperação ainda limitada diante do recuo recente.

Compras técnicas encontram mercado atento à competitividade brasileira

Segundo análises da Successful Farming e da AgMarket, parte da recuperação observada nas negociações desta quarta-feira está relacionada a compras técnicas e ao encerramento de posições vendidas, após a queda dos contratos nos pregões anteriores.

As tensões entre Rússia e Ucrânia também voltaram ao radar dos mercados agrícolas internacionais, diante de novas preocupações relacionadas ao conflito e aos riscos para o comércio de grãos na região do Mar Negro. O cenário contribui para a atenção dos investidores ao abastecimento global, embora não elimine os fundamentos específicos de oferta e demanda da soja.

No Brasil, a evolução do câmbio permanece entre os principais fatores acompanhados pelos operadores. A forte desvalorização do real diante do dólar, observada na segunda-feira após o resultado das eleições presidenciais, ampliou as expectativas de competitividade da soja brasileira nas exportações e contribuiu para pressionar as cotações americanas.

Em análise publicada nesta quarta-feira, a Successful Farming destacou avaliação de analistas da Oppenheimer segundo a qual um real mais fraco pode favorecer a receita agrícola brasileira em moeda nacional, embora os benefícios sobre o poder de compra de insumos cotados em dólar sejam mais limitados.

Para os produtores brasileiros, a valorização do dólar pode melhorar as referências de preços em reais, mas o resultado efetivo dependerá também do comportamento de Chicago, dos prêmios de exportação e dos custos de comercialização.

Colheita americana, China e vencimento de novembro seguem no radar

A entrada da safra norte-americana continua influenciando as expectativas de oferta. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita da soja havia alcançado 79% da área cultivada até domingo (25), acima da média dos últimos cinco anos, de 77%.

Pelo lado da demanda, os dados recentes de inspeções de exportação mostraram movimentação expressiva. Na semana encerrada em 22 de outubro, os embarques inspecionados de soja dos Estados Unidos somaram aproximadamente 2,48 milhões de toneladas, com a China respondendo por cerca de 1,65 milhão de toneladas.

Apesar da demanda chinesa, a perspectiva de maior competitividade brasileira permanece como um desafio para as exportações norte-americanas, especialmente diante das expectativas de uma nova safra volumosa na América do Sul.

Outro fator acompanhado pelos investidores é a proximidade do primeiro dia de aviso de entrega do contrato novembro/26, previsto para sexta-feira (30). Segundo a AgMarket, a aproximação dessa data pode intensificar os ajustes e a transferência de posições para vencimentos posteriores, influenciando a movimentação dos contratos mais próximos.

Além dos fundamentos agrícolas, o mercado aguarda nesta quarta-feira a decisão de política monetária do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos. O comunicado e as sinalizações sobre a trajetória dos juros poderão influenciar o comportamento do dólar e o posicionamento dos investidores nos mercados de commodities.

Assim, a soja inicia a quarta-feira tentando interromper a sequência de perdas em Chicago, mas ainda enfrenta um ambiente de incertezas relacionadas ao câmbio, à oferta americana e à demanda internacional. A continuidade da recuperação dependerá da evolução desses fatores e do comportamento dos investidores ao longo do pregão.

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