
As chuvas voltaram a avançar sobre o Brasil Central em setembro, melhorando as condições para o início da safra de verão, mas a distribuição irregular das precipitações ainda exige cautela dos produtores. Mato Grosso, Rondônia e áreas do MATOPIBA estão entre as regiões que seguem dependendo de uma regularização mais consistente da umidade, enquanto no Sul o excesso de chuva aumenta os riscos para as culturas de inverno, especialmente o trigo.
De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, agosto foi marcado por tempo predominantemente seco e quente no Brasil Central, com baixa umidade e temperaturas elevadas. As chuvas ficaram concentradas em episódios pontuais, principalmente no oeste de Mato Grosso, sem alterar de forma significativa a condição dos solos em grande parte do Centro-Oeste.
O período de tempo firme, por outro lado, favoreceu as atividades no campo. As condições ajudaram na conclusão da colheita do milho de segunda safra, do algodão e do sorgo, além de permitirem o avanço da preparação das áreas que receberão as culturas de verão.
A mudança começou a aparecer na primeira semana de setembro, quando as precipitações alcançaram áreas de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e outros pontos do Centro-Oeste e Sudeste. O retorno da chuva trouxe uma melhora inicial na umidade do solo após o período mais seco, mas ainda não foi suficiente para caracterizar o estabelecimento definitivo da estação chuvosa.
Essa irregularidade tem impacto direto sobre o plantio da soja. Em Mato Grosso e Rondônia, a tendência é de maior cautela na semeadura, já que o produtor precisa evitar a implantação da lavoura com umidade insuficiente e o consequente risco de replantio. Para as próximas semanas, os modelos indicam avanço das chuvas sobre parte do Centro-Oeste, Sudeste e Norte, mas ainda com distribuição desigual.
No MATOPIBA, a atenção também permanece elevada. Caso a regularização das precipitações demore mais para ocorrer, as primeiras áreas podem ter a implantação postergada. O atraso também pode aumentar a exposição das lavouras a períodos de temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água ao longo do verão.
O retorno das chuvas traz efeitos positivos para outras culturas. No café, as precipitações favorecem a reposição da umidade no solo e ajudam no desenvolvimento e na uniformidade das primeiras floradas da safra 2027/28. Na citricultura, a maior disponibilidade de água reduz o estresse hídrico dos pomares e beneficia o desenvolvimento dos frutos.
No Sul do país, porém, o cenário é diferente. A umidade acumulada nos meses anteriores já havia dificultado operações de campo e favorecido a incidência de doenças em culturas de inverno, principalmente nas lavouras de trigo do Paraná. No início de setembro, uma massa de ar frio ainda provocou queda das temperaturas e ocorrência pontual de geadas em regiões mais elevadas.
A previsão de chuvas mais frequentes, principalmente no Rio Grande do Sul, mantém o alerta para excesso de umidade, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças. No trigo, o risco é maior porque parte das lavouras atravessa fases determinantes para a formação e a qualidade dos grãos.
Com o início da safra de verão, o comportamento das chuvas passa a ser uma das principais variáveis para o campo brasileiro. Enquanto produtores do Centro do país aguardam volumes mais regulares para acelerar a semeadura, agricultores do Sul precisam de períodos de menor umidade para preservar a sanidade e a qualidade das culturas de inverno.