A irrigação tem ampliado os resultados produtivos e aberto novas perspectivas de investimento na Fazenda Palmeira, em Nova Alvorada do Sul (MS). Na safra 2025/26, a produtividade média da soja nas áreas atendidas por pivô chegou a 103 sacas por hectare, contra 70 sacas nas áreas de sequeiro, uma diferença de aproximadamente 47%.
No milho, o desempenho também foi superior nas áreas irrigadas. Segundo o produtor Júlio César Soares, foram 157 sacas por hectare, ante 101 sacas nas áreas dependentes das chuvas, um avanço de cerca de 55%.
Os resultados foram registrados nos aproximadamente 40 hectares atendidos pelo primeiro pivô da propriedade, instalado em 2023. A decisão de investir na tecnologia surgiu diante da irregularidade das chuvas e da necessidade de reduzir os riscos climáticos sobre a produção.
“O que nos levou a esse projeto foi a instabilidade climática dos últimos anos”, afirma Soares, que atua há mais de uma década na agricultura e cultiva soja, milho e sorgo, além de preparar um projeto para produção de cana-de-açúcar.
Irrigação amplia segurança no planejamento
Além dos ganhos de produtividade, o produtor destaca que a irrigação trouxe mais confiança para organizar as operações financeiras da fazenda. Com uma perspectiva mais consistente de produção, ele consegue antecipar a compra de insumos e avaliar melhor os compromissos de comercialização.
“A gente já consegue antecipar a compra de insumos com mais confiança no que vai produzir e fazer uma oferta no mercado futuro de forma mais consciente”, explica.
A previsibilidade da produção também contribui para o planejamento das despesas assumidas antes do plantio, quando ainda não há receita da colheita. De acordo com Soares, a expectativa é recuperar o investimento no primeiro pivô na quarta safra, considerando os resultados obtidos na propriedade.
Tecnologia permite monitoramento remoto
O manejo da irrigação conta com ferramentas de monitoramento e controle remoto. Na propriedade, o produtor utiliza o AgSense, da Valley, para acompanhar e operar o equipamento a distância, e o Valley Scheduling, software que auxilia na definição do momento e da quantidade de água necessária para cada área, considerando informações de solo, clima e estágio de desenvolvimento das culturas.
“A telemetria nos permite operar e acompanhar o pivô de qualquer lugar e, com o Valley Scheduling, conseguimos verificar diariamente a necessidade da cultura”, relata.
O acompanhamento técnico é realizado por Vinicius Witt, profissional da Valley que atende a fazenda. O produtor também destaca a assistência recebida na rotina de operação e manutenção dos equipamentos.
“A estamos muito contentes com o suporte técnico, o pós-venda e a qualidade do material. Até agora, em cerca de três anos, fizemos somente pequenas revisões”, afirma.
Fazenda planeja instalar mais três pivôs
Com os resultados obtidos na primeira área irrigada, Soares já prepara uma nova etapa de expansão. O projeto prevê a instalação de mais três pivôs, desta vez voltados à produção de cana-de-açúcar.
O planejamento técnico está praticamente concluído, mas a execução depende da disponibilidade de crédito e das condições de financiamento.
O produtor avalia que as taxas de juros serão determinantes para viabilizar o investimento na próxima safra.
“Temos um projeto pronto para mais três pivôs. Estamos dependendo de recursos bancários e das taxas de juros para ver se conseguimos viabilizar para a próxima safra”, afirma.
A experiência da Fazenda Palmeira mostra como a irrigação pode contribuir para elevar o potencial produtivo e reduzir a exposição das lavouras à irregularidade das chuvas. A ampliação da estrutura, no entanto, dependerá da viabilidade econômica do investimento.