Pular para o conteúdo Pular para a barra lateral Pular para o rodapé

Milho na máxima em 3 anos e soja a R$ 160: o mercado da semana

A semana de 22 a 28 de agosto foi de alta no exterior e firmeza no mercado físico brasileiro, com o milho puxando o movimento. Cada uma das cinco commodities acompanhadas aqui respondeu a um vetor diferente, e essa separação vale mais para quem vai vender do que o tamanho da variação em si.

milho: estoque global apertado leva Chicago ao maior nível desde 2023

O milho foi o destaque da semana. Na quarta-feira (26), o bushel em Chicago chegou a US$ 5,14, a cotação mais alta desde 28 de julho de 2023, mais de três anos atrás. Na quinta-feira (27), com realização de lucros, o contrato fechou a US$ 5,10, ainda bem acima dos US$ 4,78 registrados uma semana antes.

No mercado interno, os preços melhoraram no fim de agosto. As principais praças gaúchas subiram para R$ 59,00 por saco, enquanto nas demais regiões do país os valores oscilaram entre R$ 46,00 e R$ 66,00 por saco, com os principais portos indicando CIF em R$ 71,00. A colheita da segunda safra chegou a 84,4% da área nacional, contra uma média histórica de 87,5%, e no Centro-Sul alcançava 92% em 20 de agosto, ante 98% um ano atrás.

Do lado da exportação, o quadro é de perda de ritmo com ganho de preço. A Anec reduziu sua previsão de embarques de milho em agosto para 5,45 milhões de toneladas, volume 1,9 milhão abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior, e a Secex apurou média diária de embarques nos primeiros 15 dias úteis 29,8% abaixo da média de todo agosto de 2025. Em compensação, o preço médio da tonelada exportada subiu 9,6%, de US$ 197,90 em 2025 para US$ 217,00 no acumulado de agosto de 2026.

Na Argentina, a expectativa é de plantio de 8,4 milhões de hectares em 2026/27, sem grandes alterações frente ao ano anterior e acima da média das últimas cinco safras, segundo a Bolsa de Rosário.

trigo: preços firmes com a safra nova entrando devagar

O trigo também subiu em Chicago durante a semana e ajudou a sustentar o milho na quarta-feira. No Brasil, a Safras & Mercado avaliou em 28 de agosto que o mercado encerrou a semana em transição: a entrada da safra nova começa a ampliar a oferta, mas ainda sem provocar queda generalizada nos preços. A liquidez segue baixa, com moinhos e produtores cautelosos diante das incertezas sobre produtividade, qualidade e comportamento do mercado internacional.

Nos Campos Gerais do Paraná, as indicações ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.450 por tonelada, dependendo do período de entrega, enquanto no norte do estado os valores para setembro ficaram próximos de R$ 1.400. A colheita ainda está em estágio inicial.

O pano de fundo continua sendo a menor safra nacional. A Conab estima a produção brasileira de trigo em 5,8 milhões de toneladas em 2026, queda de 26,2% em relação à safra anterior, resultado de uma retração de 20,4% na área destinada ao cereal.

Soja: R$ 160 nos portos na quarta, com Chicago e dólar jogando junto

A soja chegou a R$ 160 por saca nos portos brasileiros na quarta-feira (26), impulsionada por nova disparada em Chicago e por alta do dólar no mesmo dia. Na quinta-feira (27), a bolsa americana recuou com realização de lucros após a valorização da sessão anterior.

No câmbio, o dólar abriu a semana com leve alta frente ao real na segunda-feira (24), mas encontrando dificuldade para romper a faixa de R$ 5,15. Vale registrar que, no acumulado de 2026, a moeda americana ainda opera em queda frente ao fechamento de 2025, o que significa que boa parte da valorização da soja em reais ao longo do ano veio de fundamento de mercado, e não de câmbio.

algodão: mercado interno abaixo da paridade de exportação

O algodão trouxe o dado mais técnico da semana. Segundo o Cepea, apesar da alta recente nos preços da pluma no mercado brasileiro, os valores internos passaram a ficar 3% abaixo da paridade de exportação, situação que não era observada desde novembro de 2025. Na prática, ficou mais vantajoso exportar do que vender no mercado doméstico, e quando essa diferença aparece o produto tende a ser puxado para fora até que o preço interno suba e feche a arbitragem.

O Cepea aponta que compradores com necessidade imediata de matéria-prima demonstram maior disposição para adquirir lotes de melhor qualidade, mas parte deles segue cautelosa diante da dificuldade de repassar as valorizações aos produtos manufaturados. A distância entre o preço pedido e o oferecido mantém as negociações pontuais.

Do lado da oferta, a Anea elevou em 26 de agosto a projeção da safra brasileira 2025/26 para 4,178 milhões de toneladas de pluma, alta de 4,3% em dois meses, e projeta exportações de 3,418 milhões de toneladas em 2026 e 3,411 milhões em 2027. A estimativa para a safra 2026/27 subiu para 4,029 milhões de toneladas, e o estoque projetado para o fim de 2026 passou para 2,914 milhões de toneladas.

Boi gordo: oferta curta sustenta a arroba, exportação preocupa

O mercado do boi gordo passou a semana equilibrado entre oferta restrita e demanda fraca. Levantamento da Scot Consultoria realizado em 21 de agosto indicava o boi gordo comum a R$ 347 por arroba no interior de São Paulo e o boi-China a R$ 350, considerando valores brutos e a prazo.

A menor disponibilidade de gado pronto para o abate segue como principal sustentação da arroba. Mesmo com consumo interno mais fraco e desaceleração das exportações em agosto, a indústria tem encontrado dificuldade para ampliar escalas e forçar quedas mais expressivas, e os pecuaristas conseguem segurar parte dos lotes. Do lado externo, o preenchimento da cota chinesa sem tarifa adicional aumentou as incertezas para os embarques ao principal destino da carne brasileira.

Uma observação metodológica para quem for calcular variação: o Cepea registra que o Indicador do Boi Gordo foi arbitrado pelo critério de excepcionalidade em 24 de agosto, o que significa manutenção do valor do dia útil anterior. Contas de variação semanal que ignorem esse detalhe saem distorcidas.

O que a semana mostrou no macro

O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (24) manteve a projeção de IPCA de 2026 em 5,02% e reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 1,98% para 1,95%. A projeção para a Selic no fim do ano seguiu em 13,75% ao ano e a do dólar em R$ 5,20. A taxa vigente segue em 14% ao ano, definida pelo Copom em 5 de agosto.

Para o produtor que está fechando venda agora, o resumo é que a alta das últimas semanas veio de fundamentos distintos em cada cadeia: estoque global no milho, oferta doméstica no trigo, arbitragem de exportação no algodão, demanda externa na soja e ciclo pecuário no boi. Tratar tudo como um movimento único de mercado faz perder a informação que interessa na hora de decidir quando vender.

Perguntas frequentes

Qual o preço do milho hoje? Na semana encerrada em 28 de agosto de 2026, as principais praças gaúchas indicavam R$ 59,00 por saco, com os demais mercados do país entre R$ 46,00 e R$ 66,00 e os portos em torno de R$ 71,00 CIF. Em Chicago, o bushel fechou a US$ 5,10 na quinta-feira (27).

Por que o milho subiu tanto em Chicago? O contrato atingiu US$ 5,14 na quarta-feira (26), maior nível desde 28 de julho de 2023, sustentado por preocupações com o abastecimento global e pela alta do trigo na mesma sessão.

Qual o preço da arroba do boi gordo? Levantamento da Scot Consultoria de 21 de agosto indicava R$ 347 por arroba para o boi comum no interior de São Paulo e R$ 350 para o boi-China, em valores brutos e a prazo.

Por que o preço do trigo continua firme mesmo com a colheita começando? Porque a produção brasileira deve cair 26,2% em 2026, segundo a Conab, com retração de 20,4% na área plantada. A oferta menor sustenta os preços internos mesmo com a entrada da safra nova.

O que significa o algodão estar abaixo da paridade de exportação? Significa que vender o produto no exterior está mais vantajoso do que vender no mercado interno. Quando isso ocorre, a tendência é que o produto seja direcionado para exportação até que o preço doméstico suba e elimine a diferença.

A Agro Xingú Corretora de Grãos trabalha com os melhores grãos do mercado e também deixa você por dentro das últimas novidades e análises sobre do agronegócio.
Não se esqueça de seguir nossas redes sociais.

Acessar Fonte da Notícia