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Soja fecha segunda-feira com queda superior a 1% em Chicago após disparada do dólar no Brasil

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Os preços futuros da soja encerraram a segunda-feira (26) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), em um pregão marcado pela forte desvalorização do real após o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. Embora tenham recuperado parte das perdas registradas durante a manhã, os principais contratos terminaram com desvalorizações superiores a 1%, em um mercado que também acompanha o avanço da colheita nos Estados Unidos e as perspectivas para a produção brasileira.

O contrato novembro/26 fechou cotado a US$ 12,4125 por bushel, com queda de 15,25 cents, equivalente a 1,21%. O janeiro/27 recuou 16 cents, encerrando a US$ 12,5250, enquanto o março/27 perdeu 15 cents e terminou negociado a US$ 12,6100 por bushel. O maio/27 apresentou baixa de 14 cents, para US$ 12,7000.

As perdas chegaram a ser mais intensas durante o pregão. Por volta das 11h59 (horário de Brasília), o novembro/26 era negociado a US$ 12,3250 por bushel, acumulando desvalorização de 24 cents em relação à sexta-feira (23). A recuperação de 8,75 cents até o fechamento reduziu a intensidade da queda diária, mas não foi suficiente para levar os contratos de volta ao campo positivo.

Reação ao resultado eleitoral brasileiro pressiona Chicago

A forte movimentação cambial no Brasil esteve entre os principais fatores acompanhados pelos operadores internacionais. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (25), o dólar registrou valorização expressiva diante do real, refletindo a reprecificação de ativos brasileiros e as preocupações de investidores com as perspectivas fiscais e econômicas.

Segundo a Reuters, operadores e analistas relacionaram a queda da soja em Chicago ao enfraquecimento da moeda brasileira. Um real mais desvalorizado tende a aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional, já que permite aos exportadores receber mais reais por dólar negociado.

Em entrevista ao Bom Dia Agro, do Notícias Agrícolas, Eduardo Vanin, analista da Agroinvest, também destacou que a combinação entre perspectivas climáticas mais favoráveis para o Brasil e expectativa de valorização do dólar contribuiu para a pressão sobre os futuros americanos.

Para os produtores brasileiros, entretanto, os efeitos do câmbio podem ser diferentes dos observados em Chicago. Vanin explicou que a valorização da moeda norte-americana pode favorecer a formação dos preços em reais e estimular a comercialização, que vinha avançando lentamente nas últimas semanas. O resultado efetivo dependerá da intensidade e da duração do movimento cambial, além da evolução dos prêmios e dos custos logísticos.

Colheita americana e demanda chinesa seguem no radar

Além da repercussão das eleições brasileiras, o mercado continua acompanhando a oferta norte-americana. No último relatório de acompanhamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita da soja havia alcançado 64% da área cultivada até 18 de outubro, resultado próximo da média de cinco anos, de 65%.

As condições climáticas favoráveis em parte do Meio-Oeste americano vêm permitindo o avanço dos trabalhos, enquanto os operadores aguardam novas informações sobre o ritmo de retirada dos grãos das lavouras.

Pelo lado da demanda, os números recentes das exportações norte-americanas mostraram recuperação das compras chinesas. Na semana encerrada em 15 de outubro, o USDA informou vendas líquidas de aproximadamente 2,84 milhões de toneladas de soja, das quais cerca de 2,18 milhões tiveram a China como destino.

Apesar desse desempenho, a entrada da produção americana e a perspectiva de maior competitividade brasileira continuam influenciando as expectativas sobre os preços internacionais. A evolução das compras chinesas seguirá importante para avaliar a capacidade de escoamento da safra dos Estados Unidos.

No Brasil, o mercado também acompanha o avanço do plantio de soja da temporada 2026/27. As chuvas recentes favoreceram a semeadura em áreas importantes do Centro-Oeste, enquanto a distribuição das precipitações e as condições para o desenvolvimento das lavouras continuarão sendo monitoradas nas próximas semanas.

Com isso, a soja termina a segunda-feira pressionada pela reação cambial brasileira e pelas perspectivas de oferta elevada. Para os próximos pregões, o comportamento do dólar, os indicadores de demanda externa e as atualizações da colheita americana permanecerão entre os principais fatores de atenção.

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