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Os preços futuros da soja iniciaram novembro com pequenas perdas na Bolsa de Chicago (CBOT), devolvendo parte da recuperação registrada no encerramento de outubro. Nesta segunda-feira (2), os principais vencimentos operavam no campo negativo, em um mercado que continua avaliando a entrada da safra norte-americana, a demanda internacional pela oleaginosa e as perspectivas para o desenvolvimento da produção brasileira em 2026/27.
Por volta das 9h08 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,2150 por bushel, com recuo de 0,75 cent em relação ao ajuste anterior. O janeiro/27 perdia 1,75 cent, cotado a US$ 12,3250, enquanto o março/27 apresentava baixa de 1,50 cent, para US$ 12,4225. O maio/27 também recuava 1,50 cent, negociado a US$ 12,5200 por bushel.
O movimento ocorre depois de uma semana marcada por forte pressão sobre as cotações. Na última sexta-feira (30), o novembro/26 conseguiu interromper uma sequência de quatro sessões consecutivas de perdas, encerrando o pregão com valorização de 0,20%, a US$ 12,2225 por bushel. Entretanto, o contrato acumulou desvalorização de 2,73% na comparação com a sexta-feira anterior (23), enquanto o janeiro/27 perdeu 2,70% no mesmo intervalo.
Com a proximidade do vencimento do contrato novembro, o janeiro/27 ganha importância como referência para as negociações dos próximos meses. A continuidade das perdas nesta manhã mostra que a recuperação observada no último pregão ainda não se transformou em um movimento consistente de valorização.
Colheita americana e demanda chinesa continuam no radar
O avanço da colheita nos Estados Unidos permanece entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores. Segundo o último levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 79% da área cultivada com soja havia sido colhida até 25 de outubro, acima da média de 77% dos últimos cinco anos.
Nesta segunda-feira, o mercado aguarda uma nova atualização do Crop Progress, prevista para as 18h (horário de Brasília), com os dados de avanço dos trabalhos até 1º de novembro. A divulgação ocorrerá uma hora mais tarde no relógio brasileiro em razão do encerramento do horário de verão nos Estados Unidos.
Do lado da demanda, os resultados mais recentes continuam mostrando volumes expressivos de comercialização da soja norte-americana. Na quinta-feira (29), o USDA informou vendas líquidas de 2.576.400 toneladas da temporada 2026/27 na semana encerrada em 22 de outubro, redução de 9% em relação à semana anterior.
A China respondeu por 1.627.000 toneladas, aproximadamente 63% do total comercializado. Os embarques efetivos alcançaram 2.384.100 toneladas, crescimento de 18% na comparação semanal e de 72% em relação à média das últimas quatro semanas.
Apesar do desempenho positivo da demanda externa, os contratos futuros continuam enfrentando dificuldades para sustentar uma recuperação. A maior disponibilidade de grãos com o avanço da colheita americana e as perspectivas de produção sul-americana seguem entre os fatores que limitam o movimento dos preços.
Safra brasileira e prêmios de exportação ganham importância
No Brasil, o desenvolvimento da safra 2026/27 permanece como um elemento central para as expectativas de oferta internacional. O avanço do plantio em importantes regiões produtoras reforça as perspectivas de uma produção expressiva, embora as condições climáticas ainda tragam incertezas para diferentes áreas do país.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas na última quinta-feira (29), Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócio, avaliou que a colheita americana e as perspectivas da safra brasileira ajudam a explicar as perdas recentes de Chicago. Entretanto, destacou que a demanda norte-americana permanece firme e que o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos ainda pode oferecer sustentação às cotações.
O analista também chamou atenção para a irregularidade climática em diferentes regiões brasileiras. Segundo Palavro, os excessos de chuva em partes do Sul e as diferenças entre os modelos de previsão para o Centro-Norte tornam os próximos 30 a 40 dias decisivos para a confirmação do potencial produtivo nacional.
Outra preocupação envolve o comportamento dos prêmios de exportação brasileiros. Em entrevista ao Notícias Agrícolas na sexta-feira (30), Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, avaliou que os diferenciais para embarques da safra nova já apresentaram recuos e podem continuar pressionados caso novembro confirme condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras.
Na avaliação do especialista, a revisão das expectativas de produtividade americana, a demanda chinesa e o reposicionamento dos fundos também contribuíram para reduzir os estímulos de valorização em Chicago. Chau considera que o mercado ainda enfrenta dificuldades para encontrar fundamentos capazes de sustentar uma recuperação mais consistente.
Para os produtores brasileiros, o início de novembro mantém a necessidade de acompanhar simultaneamente as referências de Chicago, o comportamento dos prêmios e as oscilações cambiais. A evolução das condições climáticas nas principais regiões produtoras e os próximos indicadores de demanda internacional deverão influenciar as oportunidades de comercialização ao longo das próximas semanas.