Na fase final do milho safrinha, o enchimento de grãos passa a ser o principal determinante da produtividade. Ainda assim, é comum produtores reduzirem investimentos em nutrição nesse estágio, prática que pode comprometer o desempenho da lavoura sem sinais imediatos no campo.
Mesmo próximo da colheita, a cultura segue exposta a fatores de estresse como excesso de radiação, déficit hídrico e pressão de pragas. Segundo o mestre em Agronomia e especialista em Ecofisiologia de Cultivos, João Vidotto, a ideia de que intervenções nessa fase têm baixo retorno não se sustenta. “A cultura continua passando pelos mesmos desafios climáticos e perde muita energia”, afirma.
Exigência nutricional segue ativa na fase reprodutiva
O milho depende de um conjunto amplo de nutrientes ao longo de todo o ciclo. A ausência de qualquer um dos 14 elementos essenciais limita o desenvolvimento e impacta diretamente a formação da espiga. Na fase reprodutiva, quando a planta direciona energia para a produção de grãos, o manejo nutricional passa a influenciar diretamente o rendimento.
Vidotto destaca que, nesse período, muitos produtores concentram esforços apenas na aplicação de potássio. “O fornecimento adequado de enxofre, boro e magnésio também é decisivo nessa etapa e garante que os fotoassimilados cheguem à espiga”, explica.
Estresse climático mantém pressão até a colheita
Mesmo em estágio avançado, a lavoura continua sujeita a perdas associadas ao ambiente. A restrição hídrica e o excesso de luz, comuns no período do safrinha, afetam o metabolismo da planta e reduzem a eficiência no enchimento de grãos.
Além dos nutrientes essenciais, o uso de elementos considerados benéficos pode contribuir para maior tolerância ao estresse. Vidotto cita compostos como o selênio, que, embora não sejam indispensáveis para completar o ciclo, podem influenciar o desempenho produtivo. “Sem esses elementos a planta produz, mas com eles o resultado tende a ser maior”, afirma.
Manejo tardio define resultado econômico
A fase final do ciclo funciona como um ajuste fino da produtividade. Com o sistema fisiológico sob pressão, a capacidade da planta de converter energia em massa de grãos depende diretamente das condições nutricionais.
Segundo o especialista, estratégias voltadas à redução do estresse ajudam a preservar o potencial produtivo construído ao longo da safra. “A planta precisa manter energia suficiente para formar e encher os grãos. Quando isso não ocorre, a perda aparece no rendimento”, diz.
A decisão de manter ou reduzir o manejo nessa etapa pode definir o resultado econômico da lavoura, especialmente em safras marcadas por variabilidade climática.