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ABRASS cria certificação nacional para padronizar produção de sementes de soja

O setor brasileiro de sementes de soja começou a intensificar movimentos de organização técnica e articulação política diante de um cenário marcado por insegurança jurídica, pressão econômica e necessidade crescente de padronização dos processos produtivos. Representantes da cadeia avaliam que o fortalecimento institucional e técnico será decisivo para sustentar competitividade, inovação e credibilidade do segmento nos próximos anos.

Entre as iniciativas em andamento está a criação de um programa nacional de certificação de processos para unidades de beneficiamento de sementes, desenvolvido pela Associação Brasileira dos Produtores de Semente de Soja (ABRASS).

Fotos: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

A proposta surge como desdobramento do Protocolo de Sementes lançado pela entidade em 2024 e busca validar a adoção de boas práticas na produção de sementes de soja, respeitando legislações específicas e diferenças regionais da atividade.

Segundo o consultor técnico da ABRASS, Pedro Tomazelli, o programa tem foco no fortalecimento estrutural do setor. “A ABRASS tem muitos enfrentamentos diretos e importantes. Mas esse programa segue uma estratégia diferente, a de ganhar musculatura associativa, melhorar a nós mesmos e fortalecer o setor cada vez mais”, afirmou.

Auditorias criam base nacional de referência

Foto: Divulgação

Para operacionalizar o sistema de certificação, a ABRASS firmou parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As entidades desenvolveram uma metodologia baseada em 153 requisitos aplicados às Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS). O modelo inclui análise documental, entrevistas e auditorias presenciais em diferentes regiões produtoras do país.

Segundo o setor, o objetivo é criar uma referência nacional de qualidade para os processos ligados à multiplicação de sementes.

A primeira auditoria-teste foi realizada em fevereiro de 2026 e a segunda etapa ocorreu em abril, ampliando a construção de um banco de dados técnico sobre o funcionamento das unidades.

Pressão política mira cultivares e infraestrutura

Além das questões técnicas, lideranças do agronegócio também reforçaram a necessidade de mudanças regulatórias e estruturais para sustentar o crescimento da cadeia agrícola brasileira.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, afirmou que a modernização da Lei de Proteção de Cultivares continua entre as prioridades do setor. “Fomos aos EUA, visitamos empresas e indústrias para conhecer outras legislações e conseguimos elaborar uma lei interessante, fizemos dezenas de reuniões e rodadas de discussões, mas o texto teve resistência política. Ainda precisamos de muito diálogo”, enalteceu.

A revisão da legislação é considerada estratégica por empresas e entidades ligadas à pesquisa genética e biotecnologia, principalmente diante do avanço da pirataria de sementes e das discussões sobre proteção intelectual no agro.

O deputado federal Sergio Souza também destacou desafios estruturais que continuam limitando a competitividade do agronegócio. “Precisamos de seguro rural, logística melhor, pensar novas soluções e ter espaço para dialogar com o governo”, enalteceu.

Saúde emocional entra na pauta do agro

O encontro também abriu espaço para discussões ligadas ao ambiente corporativo e à saúde emocional dentro das empresas do setor agrícola.

O ator e apresentador Nelson Freitas conduziu palestra sobre o papel do humor nas relações de trabalho, na liderança e no equilíbrio emocional das equipes.

A abordagem reforçou um movimento crescente dentro do agronegócio de ampliar debates relacionados à gestão de pessoas e qualidade do ambiente profissional em um setor historicamente concentrado apenas em produtividade e desempenho operacional.

As discussões ocorreram durante a 4ª edição do Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja (ENSSOJA), realizado em Foz do Iguaçu (PR).

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